24 de fevereiro de 2011

Toy Story 3!

> Em 1995, com o primeiro filme de 'Toy Story' a Pixar em parceria com a Disney reinventou, ou melhor, criou um novo conceito para animação. O gênero que antes usava apenas animação em si (2D) e stop-motion agora via agora uma técnica a mais tanto na qualidade da animação como no desenvolvimento da história. Depois de 16 anos e 2 filmes, a Disney-Pixar resolve dá uma terceira parte à franquia de Toy Story e consegue, acima de tudo, fazer um dos melhores filmes(por mim) já vistos.
> Em Toy Story 3, o caubói de brinquedo Woody (originalmente dublado por Tom Hanks) e o ‘homem do espaço’ Buzz Lightyear (dublado por Tim Allen) terão que se unir mais uma vez para descobrir qual será o destino deles, agora o dono deles Andy, terá que sair de casa e ir para a Universidade. Depois de algumas confusões em sacolas plásticas e trocas em caixas com diferentes destinações, os brinquedos acabam indo para uma creche onde terão que fazer de tudo para conseguir voltar para casa.
> Logo na primeira cena do filme é por si só bastante emocionante. Grande parte das crianças do mundo sempre teve alguns brinquedos os quais eram mais apegados, e nessa primeira cena, um flashback passa tanto no filme como na cabeça de quem está assistindo. A força da amizade é o foco principal do filme, porém sem frases clichês e repetições. O filme teve como intuito atingir os adolescentes que, cresceram com os dois primeiros filmes de Toy Story e fazer com que eles se vissem no personagem Andy, e foi mais uma missão completa com sucesso. Toy Story 3 foi o filme com maior bilheteria em 2010 e o filme mais bem recebido pela crítica especializada (e acredito que pela não-especializada também).
> Muitos são os pontos fortes do filme, o surgimento de novos personagens carismáticos que conseguem ser bem trabalhados, o desenvolvimento do roteiro – a maneira como eles fizeram a continuação, um tom de aventura sem perder a ‘inocência’, enfim, uma excelente animação que atinge mais o público de adolescentes e adultos e agrada as crianças. Toy Story 3 recebeu 5 indicações ao Oscar e é quase certeza vencer na categoria ‘Melhor Animação’. O filme inteiro é espetacular, faltam adjetivos para caracterizar tamanha a perfeição de roteiro. São animações como essa, inteligente, sagaz, profunda e tocante, que vão tomar conta dos cinemas. A cena final do filme dispensa qualquer tipo de comentários; espero que com um belo filme como Toy Story 3 seja o final da franquia, o que não seria injusto.

22 de fevereiro de 2011

A Rede Social (The Social Network)!

> Com o fim do namoro com uma jovem universitária, Mark Zuckerberg (Jesse Eisenberg) cria, com ajuda de seu amigo Eduardo Saverin (Andrew Garfield) um site voltado para os alunos de sexo masculino, votarem nas garotas mais ‘bonitas’ da Universidade de Harvard, chamado ‘FaceMash’. O site passa dos limites esperados, se torna um sucesso e em pouquíssimo tempo consegue congestionar o site da Universidade. Depois de uma repreensão pelo feito, Mark é contratado pelos irmãos Cameron e Tyler Winklevoss (Armie Hammer) em parceria com Divya Narenda (Max Minghella) para criar um site onde apenas alunos da Universidade de Harvard possam ser membros. A partir de então um jogo de idéias, de processos jurídicos e muito dinheiro mostrará que para o ‘Facebook’ atingir a popularidade de hoje, muitas relações pessoais foram traídas, quebradas ou superestimadas e que algumas complicações aconteceram.
> O elenco é surpreendente pelo fato de o filme ser todo ‘comandado’ por jovens atores até então sem muitas experiências como protagonistas. Jesse Einsenberg (Zumbilândia) consegue encarnar Mark com bastante fidelidade que faz com que, ao final do filme, Mark se torne um herói ou um vilão para quem assiste. O brasileiro Eduardo Saverin é interpretado por Andrew Garfield (O Mundo Imaginário do Dr. Parnassus) que, a partir desse papel, ganhou destaque em Hollywood e que também interpreta muito bem seu personagem.
> O longa é incrivelmente dirigido por David Fincher que mostra todo o processo de desenvolvimento e de popularidade da rede social em si, com tons de ironia, mas sem perder a seriedade. O roteiro bastante premiado de Aaron Sorkin é detalhadamente trabalhado e consegue dá uma veemência a história que, de acordo com muitos leitores, faltou no livro ‘Bilionários Por Acaso’ no qual o roteiro se baseou. A edição de cenas é espetacular, além de deixar o filme mais interessante e instigante, também ajuda a deixar a história menos monótona, destaque para as cenas impecáveis com o ator Armie Hammer, que interpreta os gêmeos Winklevoss. O maior motivo de A Rede Social ser tão aclamado por uns e não muito bem recebido por outros é que o filme, intencionalmente ou não, é voltado para a geração atual. Um público mais antigo, ou com uma visão voltada para alguns moldes antigos talvez não se agrade, ‘despreze’ e ache que tudo não passa de um grande mal-entendido.
> Por mais que pareça banal e o final não seja bem um fim para toda a trama do filme, A Rede Social é um thriller novo e frenético que nos faz pensar nos vários lados dos envolvidos na história da criação do ‘Facebook’ e mostra que uma simples idéia pode ser tornar o marco de uma geração que busca reconhecimento da sociedade, no caso através da internet, e uma fórmula certa para o sucesso e para críticas.

17 de fevereiro de 2011

127 Horas (127 Hours)!

> Aaron Ralston (James Franco) é um jovem engenheiro que se arrisca em lugares exóticos para ter um contato mais próximo com a natureza. Durante uma de suas viagens pelos canyons de Utah, seu braço fica preso por uma pedra onde a partir d e então passará 127 de sua vida lutando por sobrevivência consigo mesmo em meio a situações nada confortáveis.Um dos maiores atrativos do filme é saber como a direção e o roteiro do filme trabalham um tema que parece não haver nada o que mostrar em um filme de aproximadamente uma hora e meia, e quando assistimos ‘127 Horas’ é comprovado que ainda existem filmes que podem surpreender. Danny Boyle faz um trabalho incrível na direção do filme. A edição de cenas, a trilha sonora de A. R. Rhaman, todo o conjunto do filme acontece em perfeita sintonia. O filme não excede em momento algum qualquer limite, seja emocional ou puramente técnico.
> O filme inteiro é sustentado de uma maneira espetacular por James Franco. Poucos atores coadjuvantes aparecem no decorrer do filme, porém, independente disso ele consegue prender a atenção em todos os momentos do filme. Até porque um dos pontos fortes do filme é saber como ele terminará, e a capacidade de envolver é uma das qualidades que o filme apresenta.
> Todas as cenas do filme são carregadas de mensagens. Seja o desapego aos bens materiais, pensamentos existências, planos para o futuro e questionamentos sobre pequenas coisas que acontecem com qualquer pessoa que podem mudar completamente o rumo de uma vida, o filme tenta provar que, de uma maneira bem positivista, existem males que vêm para o bem. ‘127 Horas’ não é apenas mais um filme de sobrevivência, vai muito além disso, mostra a capacidade humana de resolver problemas e planejar soluções para situações em que a superação exige muito mais do que força física.

O Discurso do Rei (The King's Speech)!

> O filme O Discurso do Rei, mostra o rei inglês George VI (Colin Firth), no começo do filme ainda Duque de York, tendo que assumir o cargo maior da monarquia britânica, mesmo contra sua vontade, para suceder seu irmão e até então rei Edward VIII (Guy Pearce) da sua desastrosa posição no cargo. Porém, ser líder de uma nação exige uma habilidade de oratória que George não tem e o problema da gagueira também o impede; sua esposa a futura Rainha Elizabeth (Helena Boham Carter) procura muitos médicos e terapeutas para curar o marido, porém as consultas têm sido em vão, até que ela descobre Leonel Longue (Geoffrey Rush) que parece ser a solução para os problemas do Rei.
> O elenco do filme é primoroso. Logo de início se percebe que o filme terá um excelente desenvolvimento. Até os coadjuvantes que aparecem por poucos minutos atuam com uma convicção e uma certeza de que são importantes para a história. Colin Firth foi indicado ao Oscar pelo segundo ano consecutivo na categoria ‘Melhor Ator’ (ano passado ele havia concorrido por ‘Direiro de Amar’, mas quem levou o prêmio foi Jeff Bridges por Coração Louco – com quem também concorre esse ano por Bravura Indômita), ganhou o Globo de Ouro e o SAG Awards. Helena também foi indicada como ‘Melhor Atriz Coadjuvante’ – para mim uma das grandes vitórias do filme foi vê-la em uma personagem fora da sua zona de conforto, que aparenta está ‘viva’ e efetiva, digamos assim – e o excelente Geoffrey Rush também foi indicado em uma das categorias mais difíceis do ano, ‘Melhor Ator Coadjuvante’.
> Um dos pontos fortes do filme é a tentativa muito bem sucedida de mostrar que existem problemas e conflitos em pessoas que achamos que têm uma vida descomplicada e perfeita, sem prejudicar o nome da família real inglesa. Bertie, apelido pelo qual o personagem de Colin Firth é chamado pela família, é uma pessoa forte e que consegue sustentar muitas imperfeições de outros membros da família, porém ao mesmo tempo é fraco e inseguro por dentro em vista de pressões e traumas vividos por ele, grande parte da segurança interna e do apoio que precisa, não só para falar em público, mas para conseguir conciliar várias situações complicadas, ele encontrará na amizade de Longue.
> O fato do filme está classificado como gênero drama não impede que ele seja “dinâmico”, o filme oscila entre partes emocionantes e engraçadas, mas sem perder o foco principal. O Discuro do Rei consegue trabalhar a amizade, a importância da família, a igualdade de uma maneira tão perfeita que o final do filme traz uma carga de positivismo a quem assiste. Com uma técnica incrível que não deixa a desejar em nenhum aspecto, o discurso do rei em si, é uma vitória para a o povo inglês que precisava ouvir palavras de confiança em meio ao conflituoso início da 2ª Guerra Mundial e um triunfo particular para o rei George VI.

Bravura Indômita (True Grit) 2010!

> O “Bravura Indômita” dos irmãos Coen não é bem um remake do filme de 1969 e sim uma releitura do livro que deu origem ao primeiro filme. A história é basicamente a mesma, porém com algumas alterações no desenvolver que não alteram no final. Hailee Steinfeld é Mattie Ross, uma menina que fará de tudo para ver o assassino de seu pai enforcado. Ela decide pedir ajuda ao Marshall Rooster Cogburn (Jeff Bridges), um velho bêbado que só aceita o trabalho pelo dinheiro. A dupla também contará com a ajuda de La Boeuf (Matt Damon) um Texas Ranger que também está em busca do mesmo assassino.
> Como em todos os filmes dos irmãos Coen que eu já assisti, o elenco é sensacional. A jovem Hailee Steinfeld, de apenas 14 anos, e o ganhador do Oscar do ano passado Jeff Bridges foram nomeados ao prêmio da Academia por suas atuações nesse filme. Primeiramente é necessário falar que toda a aventura do filme de 1969 virou drama e suspense nas mãos dos diretores. Muitos diálogos parecidos e cenas parecidas apenas nos remetem ao filme antigo, mas tudo parece bastante original.
> Voltando às referências ao filme de 1969, Jeff Bridges em uma entrevista, disse que não tomou a atuação de John Wayne como inspiração para sua versão do Cogburn, o que não faz com que ambas sejam por demais verdadeiras e direcionadas para as intenções que os diferentes filmes são voltados. Hailee é um presente para o filme. A jovem atriz que apenas tinha feito filmes para TV americana é mais uma das jovens atrizes promissoras como Jennifer Lawrence, Elle Fanning e Chloe Moretz.
> Tecnicamente 'True Grit' é impecável. A fotografia, direção de arte e figurino são excelentes. O filme tem uma classe que poucos têm seja em ‘western’ ou não. Mesmo o espectador já tendo assistido o filme com John Wayne ou lido o livro, a nova releitura de “Bravura Indômita” prende a atenção e surpreende.

7 de fevereiro de 2011

O Vencedor (The Fighter)!

> Micky Ward é um lutador de boxe que ainda não tem destaque e respeito no mundo do esporte e é treinado por seu irmão Dicky Eklund (Christian Bale), outro boxeador que já viu melhores dias em sua carreira, e hoje, viciado em crack, pretende uma volta por cima, mas não se esforça para isso. Durante seus treinamentos Micky conhece Charlene (Amy Adams) e suas ideias não serão as mesmas da mãe dele e também organizadora de lutas Alice (Melissa Leo) sobre o desempenho do lutador.
> ‘The Fighter’ é um filme em que os coadjuvantes se destacam. O filme inteiro gira em torno do personagem problemático de Christian Bale, direta ou indiretamente, os fatos que ocorrem com o personagem principal, têm alguma ligação com uma atitude de ‘Dicky’. A mãe de Micky e a namorada dele também são de grande importância no filme e na verdadeira história do lutador, ambas estão sempre em confronto de idéias buscando o melhor para o personagem, e ele no filme está sempre submisso a uma delas.
> O filme todo se molda a um estilo de filme que era comum a alguns anos atrás. A simples e, ao mesmo tempo, excelente direção de David O. Russell torna o filme mais agradável. Entre os anos 80 e 90 alguns longas que abordavam o tema superação tinham basicamente a mesma fórmula, e é nesse modelo que ‘O Vencedor’ se desenvolve, porém ele consegue usar isso ao seu favor.
> Não sei se é pelo fato de eu ser um fã de filmes de boxe, ou de eu gostar de todo o elenco do filme, mas ‘O Vencedor’ é um filme que me cativou e me emocionou; ele foi indicado a vários prêmios incluindo sete indicações ao prêmio da Academia, incluindo ‘Melhor Filme’ (Christian Bale concorre como ‘Melhor Ator Coadjuvante’, Melissa Leo e Amy Adams concorrem em ‘Melhor Atriz Coadjuvante’ e Mark Wahlberg não consegui vaga em ‘Melhor Ator’, mas concorre como produtor.). O filme é singelo e triunfante, porém tenho a impressão de que se tivesse sido feito a alguns anos atrás, ele teria sido mais bem sucedido com o público e com algumas categorias de premiações.

4 de fevereiro de 2011

Cisne Negro (Black Swan)!

> Nina Sayers (Natalie Portman) é uma bailarina que almeja conseguir o papel principal dos cisnes branco e negro no importante espetáculo de balé ‘Lago dos Cisnes’, porém para conseguir êxito nos personagens ela deve provar que, tanto como pessoa quanto como bailarina ela consegue tocar a perfeição, mesmo sob pressão do diretor do espetáculo Thomas (Vincent Cassel), de sua mãe (Barbara Hershey) e sob a sombra da ex-bailarina Beth (Winona Ryder) e de uma possível rival Lily (Mila Kunis).
> “Cisne Negro”
é um excelente suspense psicológico do diretor Darren Aronofsky, que mostrou saber trabalhar as visões masculina e feminina, (“O Lutador”) e é o filme em que Natalie Portman está em sua melhor atuação de sua carreira até então. O filme simplesmente surpreende em vários aspectos, na técnica em que é filmado, no roteiro incrivelmente trabalhado e na mensagem final do filme que é mostrada de maneira óbvia e bastante original. Olhando ‘Black Swan’ e o último filme de Darren, ‘The Wrestler’, é perceptível que o humano explorado por ele é sempre voltado para o lado do melancólico, mergulhado em escuridão tanto física quando emocional.
> De maneira muito justa, o filme tem sido lembrado em várias premiações de cinema internacionais, incluindo 5 indicações ao prêmio da Academia. ‘Black Swan’ é um filme mais maduro do que parece ser, os efeitos visuais não são exagerados, a fotografia não é cansativa, tudo acontece da maneira mais bem distribuída como deve ser.
> O filme é simplesmente um trabalho primoroso, sutil e pesado, fino e ás vezes deselegante; “Cisne Negro” consegue o que muitos filmes tentam sem sucesso: Transformar uma cena densa em encantadora e dar uma beleza àquilo que em vários filmes é apenas banal. A perfeição inalcançável fez com que o longa de Darren se tornasse belo, encantador e profundo. Tentei o máximo procurar mais palavras para descrever mais sentimentos do filme, porém assistindo se sente mais do que se pode descrever.