14 de agosto de 2011

Super 8!

> Certa noite em uma cidade pequena de Ohio, um grupo de crianças estava gravando um filme com uma câmera tipo Super-8. Tudo ia bem até que um trem sofre um acidente e descarrila em meio às filmagens. Passado o susto as crianças prometem não contar a ninguém sobre o inesperado ocorrido, porém passados alguns dias eles percebem que o que aconteceu não foi bem um incidente e que o trem carregava algo além do que eles imaginavam.

> A fórmula é exatamente a mesma: Um grupo de crianças – onde geralmente o protagonista tem algum problema familiar - que encontra algo diferente e passa por uma aventura super agradável até conseguir o que objetiva, ou o que é melhor para todos. Essa fórmula funcionou em muitos dos filmes do final da década de 70 e de toda a década de 80, e agora J.J. Abrams a utiliza em forma de homenagem a esses filmes. Diria ainda que a homenagem possa ser restrita ao diretor Steven Spielberg em seus dois sucessos ‘E.T. – O Extraterrestre’ e ‘Os Goonies’. ‘Super 8’ foi uma sacada inteligentíssima porém muito arriscada. O talentoso e sagaz J.J. Abrams resolveu aprimorar um gênero de filmes que fez muito sucesso e se saiu bem, sem exagerar nos efeitos ou no suspense, detalhes que conseguiu adicionar deixando o filme bem atualizado por mais que siga um modelo de filmagem ‘já pronto’.

> J.J. Abrams dirige todo o filme de maneira firme e seguro daquilo que está fazendo. Ele conseguiu extrair do elenco de crianças que protagonizam o filme uma naturalidade que não se via desde o início dos anos 90. Dentre os jovens atores aqui presentes estão Joel Courtney, que interpreta o personagem principal Joe, e a espetacular Elle Fanning. Todos os créditos não se devem à direção de J.J., mas também ao seu roteiro muito bem desenvolvido, à trilha sonora de Michael Giacchino e à produção de Spielberg que deu um vigor a mais nos efeitos, no enredo e onde mais fora necessário.

> Aquele que é nostálgico ou que simplesmente passou alguma parte da infância assistindo aos bons filmes da ‘Sessão da Tarde’ que já não são mais transmitidos, com certeza se identificará, mesmo se seja em um número limitado de cenas – ou talvez até a primeira metade do filme, pois a partir da segunda metade o longa tende mais para um lado ‘Cloverfield’ -, com ‘Super 8’. É um filme que segue o estilo de grandes sucessos e finda por ser uma aventura também icônica.

7 de agosto de 2011

A Árvore da Vida (The Tree of Life)!

> O filme mostra a vida, mais especificamente a infância e parte da fase adulta, de Jack, um homem oprimido que assim como qualquer pessoa normal teve acertos e falhas. O foco principal fica na relação entre ele e sua família, e mostra como a vida na Terra tem se apresentado desde o Big Bang até os dias atuais de uma maneira que envolva questionamentos da existência humana, fé e as relações entre as pessoas.

> “...é um filme lento, austero e solene, algo que muitas pessoas poderiam resumir em uma palavra só: ‘chato’. Pessoalmente não concordaria com esta síntese” (Isabela Boscov em sua crítica ao filme ‘Homens e Deuses’). ‘A Árvore da Vida’ é um daqueles filmes em que as razões para gostar são inúmeras, bem como para desgostar. Um filme com pensamentos existências requer um nível de paciência para aqueles que não gostam desse tipo. Aqui nós temos um forte confronto em todo o filme da beleza e riqueza de detalhes versus monotonia e banalidade. Gostaria de deixar bem claro que achei o filme muito real e com grandes cargas emocionais muito bem distribuídas, mas onde está um dos pontos mais característicos do filme, está também o mais, eu diria fraco, que é a excesso de cenas detalhistas.

> As cenas da origem do planeta são belíssimas, a fotografia é belíssima, a trilha sonora é belíssima, a edição de cenas, por mais que haja demasiados cortes, também é belíssima e inteligente. Visualmente o filme é impecável e radicalmente original. Porém, por mais que a história que serve de plano de fundo para o desenvolvimento do filme seja agradável e de certa maneira carismática, ficou banalizada em vista de tamanha beleza e critério na escolha das imagens.

> Hunter McCracken é um novo jovem ator que interpreta o personagem Jack quando criança, e é um dos destaques de ‘A Árvore da Vida’. Hunter sustenta grande parte do filme com uma técnica que muitos atores com vasta experiência não têm. Brad Pitt interpreta o pai de Jack, Jessica Chastain – outro ponto alto do filme – interpreta a mãe de Jack, e Sean Penn faz Jack adulto. O diretor Terrence Malick apresenta aqui um filme com ideias fortes e caprichado na metafísica. As comparações com ‘2001 – Uma Odisséia no Espaço’ do diretor Stanley Kubrick são quase inevitáveis. A fotografia lembra em alguns momentos as idéias de Gaspar Noé e uma cena especificamente me remeteu a um dos filmes de Fellini. Não que ‘A Árvore da Vida’ tenha seguido os caminhos desses filmes, mesmo por serem deveras distintos, mas o que tento afirmar aqui é que como resultado, o filme gerou algo que, ao mesmo tempo em que conseguimos perceber referências (sejam elas involuntárias ou não), é experimental, ousado e lindo.

> Utilizei as palavras de Isabela Boscov, pois acho que servem perfeitamente para ‘A Árvore da Vida’. Uns podem classificá-lo como monótono e arrastado: chato; porém outros julgarão um dos mais belos filmes já feitos. Fico em parte com o segundo grupo de pessoas, pois compreendo totalmente o primeiro. Uma coisa é certa, toda a sinceridade e dedicação são visíveis e conseguem deixar o filme mais intrigante quando esse acaba.