30 de dezembro de 2011

Melancolia (Melancholia)!

> Justine (Kirsten Dunst) e Claire (Charlotte Gainsbourg) são duas irmãs que têm que lidar com alguns problemas no relacionamento entre elas. Após seu casamento, Justine se torna uma pessoa deprimida e melancólica, tendo que contar com o apoio da irmã para tentar reestruturar sua vida, além disso, a notícia de que um iminente planeta colidirá com a Terra fará com que mais uma vez, suas vidas passem por algumas mudanças.

> Lars von Trier ainda é um dos poucos diretores que utilizam conseguem fazer da boa direção de atores uma referência de seus filmes. Foi com o filme “Dogville” (2006), um filme em que basicamente não há nada explícito, somente excelentes atores em um cenário vazio com poucos objetos - algo bem semelhante a um teatro -, percebi que o forte desse diretor estava mesmo em conseguir fazer com que seu elenco expressasse todos os sentimentos idealizados por ele mesmo sem a ajuda de muitos recursos técnicos. Em ‘Melancolia’ é nítido o controle e a profundidade dos atores em todos os momentos. O que chama também a atenção aqui foi a maneira ardilosa com que a ficção científica foi levada a sério, sendo um dos principais motivos para o desfecho do filme. Kristen Dunst está em sua melhor atuação de sua carreira, até então e Charlotte Gainsburg, que já havia trabalhado com o diretor no difícil “Anti-Cristo”, também traz mais uma atuação crua e que muito melhor que muitas atrizes ‘experientes’. Destaque na parte técnica vai para a linda fotografia do chileno Manuel Alberto Claro.

> É um filme bastante intuitivo onde se pode obter muitas ideias tanto no que se vê como no que se fica subentendido, principalmente nos diálogos. Mais uma vez, Lars von Trier faz uma sequência de abertura excepcional que resume tudo o que veremos no restante do filme, mas não o que entenderemos ou perceberemos dali por diante. Poucos filmes mostram com nitidez uma relação familiar, nesse caso bem complexa, com sucesso e quando se consegue isso com apenas bastante boa vontade de um elenco e um roteiro super criativo, deve-se notar o sucesso desse trabalho. É, sem dúvida, um filme belo e surpreendente.

29 de dezembro de 2011

Toda Forma de Amor (Beginners)!

> Oliver (Ewan McGregor) é um triste designer que em meio a um processo de mudança em sua vida, após a morte de seu pai Hal (Christopher Plummer) conhece Anna (Mélanie Laurent) uma jovem espirituosa que o fará sentir-se querido e ao mesmo tempo inseguro sobre esse novo relacionamento. Depois da mãe de Oliver falecer, Hal se assumiu gay aos 75 anos, Oliver então tenta viver com essa nova situação e com o câncer na nova figura de seu pai. Oliver e Anna tentarão então suprir a falta que ambos sempre tiveram de uma família, de apoio e de amor.

> Quem assistiu outro filme do diretor Mike Mills chamado “Impulsividade” (2005) sabe que o estilo dele é bem simples, bonito e objetivo algo semelhante a um videoclipe ou uma propaganda, ele trabalha seus filmes com uma beleza plástica e quase palpável. O roteiro de “Toda Forma de Amor” é baseado na vida do diretor, quando sua mãe morreu de câncer seu pai se assumiu gay, aos 75 anos e depois de 44 anos de casamento e, alguns anos depois, também morreu de câncer. Ewan McGregor está muito bem – embora um ator norte-americano talvez se saísse ainda melhor em seu papel, Mélanie Laurent tem um carisma pessoal que deixa suas personagens sempre mais graciosas, a mãe de Oliver vivida por Mary Page Keller e Andy o namorado do pai de Oliver, interpretado por Goran Višnjić, também são personagens muito bem desenvolvidos embora tenham poucas cenas no filme. Mas o grande destaque aqui vai para o talentoso Christopher Plummer. Christopher é um ator com um currículo bem extenso no cinema, no teatro e na televisão norte-americana, porém quando atores chegam à idade dele poucos papéis variados são oferecidos, no caso de Plummer, sempre eram oferecidos papéis de coadjuvante, nos quais, ele se mostrava tão necessário para o destaque do filme quanto um protagonista. E nesse filme, ele realmente sai da zona de conforto de sua idade e mostra que ainda tem muita versatilidade e disponibilidade para filmes futuros.

> O filme tem uma edição de cena esperta onde os flashbacks às vezes são mais importantes e mais recorrentes do que as cenas ‘atuais’ e mantém a continuidade do filme. Todos os aspectos técnicos deixam o filme bem minimalista. São três histórias de romances que fazem o filme se desenvolver, as duas que envolvem Christopher Plummer são, de longe, as mais interessantes, entretanto a história tida como principal, que é controlada por Ewan McGregor não pode ser considerada uma das mais novas do cinema, mas pode-se dizer que é uma das mais bem contadas. Na verdade embora as escolhas do diretor deixem tudo mais bonito, visualmente falando, não é algo novo em longas metragens, o roteiro intimista é que dá veracidade ao filme. Não há muito de comédia, pelo contrário, é a tristeza que deixa o filme capaz de passar a mensagem de nunca é tarde para tentar ser feliz ou para começar algo que sem vem buscando durante uma vida inteira.

26 de dezembro de 2011

Tudo Pelo Poder (The Ides of March)!

> O ano é 2004 e as eleições para escolha de representante dos partidos democrata e republicano dos Estados Unidos estão acirradas. Stephen Meyers (Ryan Goslin) é o jovem diretor de comunicação do candidato Mike Morris (George Clooney) e o filme mostrará alguns dos envolvimentos, enganações, uniões e trapaças que Stephen terá que fazer para o bem de seu candidato ou, para o mantimento de seu cargo.

> O elenco dispensa qualquer comentário. Ryan Goslin é um ator que desde o final de 2008 ganhou um destaque que poucos conseguem em tão pouco tempo, de restante Paul Giamatti, Philip Seymour Hoffman respondem por si. Marisa Tomei e Evan Rachel Wood assim como o diretor e ator George Clooney, fazem papéis pequenos, mas de grande importância para a trama; Na verdade George Clooney aqui merece mais destaque como diretor - que tem se mostrado até bem hábil – do que como ator. Não imagino que seja fácil fazer um filme ágil e ao mesmo tem sólido envolvendo o tema política, talvez por isso não se tenha feito tantos ultimamente. De início pode parecer complicado - quando se fala de filme político, muitas vezes “complicação” é a primeira palavra que vem à cabeça - entender todas as relações ali presentes porque não há uma introdução explícita sobre cada um dos personagens. Mas no princípio fica claro o objetivo de mostrar a ligação entre o profissional e o pessoal daqueles envolvidos com a política, muito embora, em certos momentos pareça que o diretor e roteiristas acreditam que todos os políticos têm na verdade um descaso com a política.

> O filme é bastante consistente e tem um roteiro igualmente forte, com alguns diálogos, que parecem ser ordinários, mas que são deveras importantes que trazem as melhores ideias do filme, destaque essencial para o diálogo da primeira cena de Marisa Tomei com Ryan Goslin. “Tudo Pelo Poder” ganha destaque por saber tratar o drama e a política que geralmente tornam um filme banal, em um thriller espetacular e com ótimas referências ao ‘mundo real’ e por saber ter empregado ótimos atores em ótimos personagens, embora, - sendo baseado em uma peça sirva tanto para o cinema quanto para o teatro, - os personagens pudessem ser um pouco menos descrente naquilo que tanto fazem, ou, não dar um tom tão abrangente.

21 de dezembro de 2011

Rango!

> Rango (originalmente dublado por Jonnhy Depp) é um camaleão que, em meio a uma crise de identidade se questiona se a vida que ele leva, de um animal domesticado, é aquilo que ele realmente almeja. Durante uma viagem ele cai do carro e passa a se encontrar em um deserto muito árido e terá que conhecer animais diferentes dele e se destacar no meio deles para buscar não só sua sobrevivência, mas a sobrevivência de toda a cidade de ‘Poeira’ onde a água é um bem valioso e em falta.

> O grupo mariachi de pássaros no início do filme me fez criar grandes expectativas sobre o que estava por vir. Porém, na sequência seguinte, a primeira com o lagarto protagonista, boa parte do encantamento sumiu com um existencialismo duvidoso e não muito empregado logo na introdução do filme. Metáforas, meta-diálogos e meta-piadas são assuntos que devem saber ser aplicados, ou digamos até, escondidos em filmes cujo maior público alvo é o infantil. Pode parecer que eu não creia a na capacidade de percepção das crianças quando falo isso, não é isso, apenas acho que elas vão para o cinema para ver algo que divirta e ensine algo, não para refletir sobre diálogos e técnicas de animação. São apenas duas cenas, mas que deixam o começo do filme maçante. Ainda assim a primeira metade do filme é que contém as melhores cenas de humor e aventura.

> Da metade para o final o filme se torna sem carisma, arrastado e com poucas cenas engraças. [SPOILER] Houve um momento um tanto quanto confuso em que eu me perguntei se o que eu estava vendo era realmente aquilo ou o Clint Eastwood era algo subentendido por mim [SPOILER]. Mas uma coisa é certa, ‘Rango’ tem uma qualidade técnica de animação que poucos filmes conseguem obter, seja nos detalhes ou na criação ou na fotografia. Vi em alguns lugares que o filme fora feito em homenagem aos filmes de gênero Western, tirando o nome do personagem principal, poucos dos grandes atrativos dos filmes desse gênero se fazem presente aqui, na verdade, são algumas cenas completas. Muito mais do filme poderia ter sido aproveitado, não fosse por seu roteiro indefinido. ‘Rango’ é um filme que diverte, mas falta carisma.

20 de dezembro de 2011

Velozes e Furiosos: Desafio em Tóquio (The Fast and The Furious: Tokyo Drift)!

> O adolescente problemático Sean Boswell (Lucas Black) está sempre se envolvendo com discussões e atritos em geral, mas o que mais preocupa sua mãe (Lynda Boyd) são as corridas ilegais em que ele se envolve. Sempre se mudando de cidades por causa de sua personalidade forte e sua índole, a única solução para Sean agora é se mudar para Tóquio e passar a viver com seu pai (Brian Goodman). Porém, também no Japão, o jovem vai descobrir que as corridas clandestinas estão mais próximas do que ele imaginava e que pode ser um grande competidor nos desafios ‘drift.’

> Os filmes ‘Velozes e Furiosos’ de fato precisavam de uma produção mais digna para as cenas de corrida que são, inegavelmente, os pontos mais altos dos filmes até então. E o terceiro filme conseguiu com êxito trazer esse amadurecimento nos efeitos e nas edições de cenas. Porém essa melhora veio com um decréscimo, sim, ainda possível, no enredo do filme. O elenco é até competente, a direção deixa as cenas-êxtase mais divertidas, mas toda a história e personagens criados já foram vistos em alguns outros filmes e adaptadas das mais diferentes maneiras possíveis. É a conhecida frase “o mais do mesmo”, não há ousadia.

> E quando os cenários dos Estados Unidos da América já não parecem ser suficientes para as corridas, porque não mudar para a caótica, colorida e agitada cidade de Tóquio? Penso que tudo o que aconteceu nesse filme foi com uma intenção, quase plena de certeza, de dar um rosto mais jovial à franquia e, com isso, faturar alguns punhados a mais. Mas, quem se importa? Os carros estão lá, as belas mulheres estão lá, mais carros estão e lá e no final é tudo - só - isso que conta. “Velozes e Furiosos: Desafio em Tóquio” é um filme que poderia ter ido um pouco além, mas foi traído pelo comodismo.

8 de dezembro de 2011

Meia-Noite em Paris (Midnight in Paris)!

> Gil (Owen Wilson) é um roteirista de sucesso em Hollywood, porém se decepciona quando vai escrever um romance, que é do que realmente gosta, e não consegue inspiração suficiente para desenvolver um enredo promissor. Em Paris, com sua noiva Inez (Rachel McAdams) e os pais dela e encontra o que precisava para dar continuidade a seu livro.

> Não sou um bom conhecedor dos trabalhos de Woody Allen, mas daqueles que vi, posso dizer que ‘Meia-Noite em Paris’ é um dos que apresenta as ideias mais bem definidas e trabalhadas. É impressionante como o filme sai do plano real e muda para um plano ‘fantástico’ sem mudar em exatamente nenhum aspecto – e o mais importante, sem se preocupar com isso, e isso só é possível por causa do roteiro riquíssimo e das belas locações da capital francesa. O filme é caracterizado por seu excesso de sutileza, seja na formação de personagens ou mesmo nas falas que fazem romper a comédia.

> É muito interessante ver como personagens reais do passado interagem, ou interagiriam com pessoas do presente. Todo o elenco está deslumbrante em seus personagens bem detalhados e que mesmo sendo moldados por suas características culturais, não deixam de transparecer uma veemência nas estruturas de suas personalidades, mesmo que algumas vezes sejam bem caricaturados. Owen Wilson, em uma de suas melhores interpretações, faz o confuso e neurótico ‘alter-ego’ de Woody Allen. Merecem destaque também Michael Sheen e Corey Stoll.

> O filme fala da busca por inspiração e respira inspiração. Existem em alguns momentos pequenas críticas a relacionamentos, e ao pseudo-intelectualismo, mas nada que Allen já não tenha feito de maneira mais áspera. No final temos a certeza que Paris é inspiradora, a literatura dos anos 20 é inspiradora, o cinema ainda é inspirador e ‘Meia-Noite em Pais’ é um dos melhores filmes do ano. É uma comédia elegante, de humor bem refinado e de muito bom gosto.