22 de dezembro de 2012

As Aventuras de Pi (Life of Pi) !


> Pi Patel (Suraj Sharma) é filho do dono de um zoológico localizado em Pondicherry, na Índia. Após anos cuidando do negócio, a família decide vender o empreendimento devido à retirada do incentivo dado pela prefeitura local. A ideia é se mudar para o Canadá, onde poderiam vender os animais para reiniciar a vida. Entretanto, o cargueiro onde todos viajam acaba naufragando devido a uma terrível tempestade. Pi consegue sobreviver em um bote salva-vidas, mas precisa dividir o pouco espaço disponível com uma zebra, um orangotango, uma hiena e um tigre de bengala chamado Richard Parker.

> Sempre admirei a versatilidade do diretor Ang Lee por trabalhar os mais diversos temas e conseguir expressar uma boa carga de emoção em cada um deles. Porém, mesmo identificando que o que se passava em seus filmes era algo cheio de sentimentos, as produções anteriores do diretor não chegaram a me fazer sentir o que estava sendo passado. Até que, depois de passar por vários diretores e chegar às mãos de Lee, o projeto de adaptar o romance metafísico A Vida de Pi de Yann Martel (que por sua vez teve a trama baseada em Max e os Felinos do brasileiro Moacyr Scliar) prova que diferentes temáticas podem atingir diferentes pessoas de diferentes maneiras, pois, como homem de fé, As Aventuras de Pi me tocou da maneira como poucos filmes conseguiram.

> Baseado na maneira em que As Aventuras de Pi foi divulgado se espera, no mínimo, que o filme seja uma aventura de um garoto indiano que sobrevive a um naufrágio com um tigre de bengala em um pequeno barco na imensidão do oceano, o qual, durante a noite é iluminado por peixes fluorescentes. Mas, quando se assiste ao filme na tela fica perceptível, logo nas primeiras cenas, que o conteúdo do longa é bem mais profundo do que apenas beleza visual.

> Quando criança, Pi se interessa por saber e conhecer as diferentes religiões. E todo o embasamento para que a sua jornada de sobrevivência tenha a força para que ela termine bem virá de suas experiências anteriores com Deus. A beleza do filme, graças ao excelente roteiro de David Magee, chega a ficar em segundo plano quando se chega ao questionamento final do filme. Ressaltando que, pessoas que nunca tiveram contato com algum tipo de religião podem chegar a pensar que os questionamentos finais são rasos ou até desinteressantes, mas me rendeu algumas horas de reflexão.

> Os efeitos do filme e sua fotografia são deslumbrantes. Ang Lee conseguiu criar cenas tão belas e ao mesmo tempo tão simples que é gratificante saber que ainda existem diretores preocupados com a originalidade visual em sincronia com roteiros afiados. Destaque também para a trilha sonora evolvente.

> É fácil se deixar manipular pelo seu enredo e impacto visual. Torno a dizer, como católico praticante, fã de filmes que abordam a temática da fé, e fã de filmes que inovam visualmente, As Aventuras de Pi é uma experiência riquíssima. E gostei de ter me surpreendido pelos conteúdos e questionamentos distribuídos ao longo da narrativa. Isso fez com que o filme terminasse de maneira muito maior e mais bela do que aparenta.

Gonzaga - de Pai pra Filho !

> Um pai e um filho, dois artistas, dois sucessos. Um do sertão nordestino, o outro carioca do Morro de São Carlos; um de direita, o outro de esquerda. Encontros, desencontros e uma trilha sonora que emocionou o Brasil. Esta é a história de Luiz Gonzaga, o Rei do Baião, e Gonzaguinha, o seu filho, cantor e compositor, e de um amor que venceu o medo e o preconceito e resistiu à distância e ao esquecimento.

> Breno Silveira volta com mais uma comovente história de cantores populares brasileiros que tiveram relações paternas, digamos, conturbadas, mas edificantes. Dessa vez focada em pai e filho, personagens nordestinos da História da Música Popular Brasileira. Ambos com perspectivas de vida diferentes, criações diferentes e objetivos culturais diferentes.

> Luiz Gonzaga, nascido e criado em Exu, interior de Pernambuco, teve seu pai, Januário, como um amigo e exemplo de vida. Gonzaguinha buscava isso em Gonzagão mas quase nunca o encontrava em casa ou não tinha coragem e intimidade para pedir mais atenção dele. Gonzagão teve o seu filho de certa forma em um momento em que estava desestruturado financeiramente, mas sempre se preocupou em dar-lhe tudo o que fosse possível de qualidade, porém, como precisava rodar o Brasil em seus shows, faltaram a ele a presença, o afeto e a atenção de maneira direta. Gonzaguinha deixou o sentimento de carência se transformar em revolta, amargura e ódio que culminaram com várias discussões entre eles, até que todas as feridas do passado fossem curadas. Diferente de "2 Filhos de Francisco", a história aqui é um tanto mais profunda pois, dependendo do ponto de vista que é analisada, pode ter várias causas, ou pode ser apenas um mal entendido causado pela falta de diálogo familiar.

> O filme fica bastante fácil de ser compreendido, em sua linha temporal, por causa da edição do filme que poderia ser prejudicada pelos excessos de flashbacks, mas que entrelaça as duas narrativas – as biografias do pai e do filho – de uma maneira que mantêm sempre a unidade. O elenco está muito bem, até mesmo o cantor Chambinho do Acordeon que interpreta Luiz Gonzaga dos 25 aos 50 anos e que nunca tivera trabalhado como ator antes. Destaque também para o belíssimo trabalho de fotografia de Adrian Teijido e para a envolvente e consequente trilha sonora.

> Nota-se, no filme, uma Imparcialidade no sentido em que não tenta mostrar qual a visão, de pai ou de filho, está mais correta, e ganha pontos ao mostrar que ambas são compreensíveis. Por fim, endossamos o que já é conhecido: relações familiares sempre quase sempre são conflituosas quando se tem uma vida artística profissional e que Luiz Gonzaga é um dos pioneiros na disseminação da cultura nordestina em toda sua riqueza, para o sul e sudeste brasileiro.

Argo !

> Em 4 de novembro de 1979, enquanto a revolução iraniana atinge seu ápice, militantes atacam a embaixada dos EUA e tomam 52 americanos como reféns. Mas em meio ao caos, 6 pessoas conseguem escapar e se refugiam na casa do embaixador canadense. Sabendo que é apenas questão de tempo até serem encontrados e mortos, o especialista da CIA em “exfiltração”, Tony Mendez (Ben Affleck), arquiteta um arriscado plano para colocá-los com segurança para fora do país. 
Hollywood e a política americana estão mais interligadas do que se é divulgado. No início da década de 80, Tony Mendez viu no cinema a ideia perfeita para tirar seis norte-americanos que estavam no Irã, se refugiando na embaixada canadense. Em apenas uma semana, junto com a ajuda do maquiador ganhador do Oscar John Chambers (John Goodman) e do produtor Lester Siegel (Alan Arkin) eles criaram um falso filme de ficção científica, chamado “Argo”, que obviamente não saiu do papel, para poder levar Mendez ao Irã e sair com os seis refugiados.
 
> O ponto de vista político do longa Argo tem sido bastante discutido, porém uma das perspectivas que mais me chamou a atenção na produção, é como a globalização e a “americanização” da cultura pode alterar essas questões políticas de maneira a salvar vidas. Argo mostra que os estadunidenses podem ser tão ufanistas e politicamente envolvidos quanto os iranianos, sendo capazes de criarem planos tão absurdamente improváveis para intervirem em questões e problemas maiores que suas alçadas podem suportar, fazendo nascer o “herói”. É interessante também ver como a cultura e o cinema puderam ligar países quando a educação e filantropia, por exemplo, já não eram opções de ajuda.

> Além da questão política, Argo mostra também o quão sedenta por lucros e desestabilizada (mas mesmo assim, ainda digna de credibilidade) Hollywood estava no início da década de 80, sendo possível a criação, aprovação e divulgação de projetos de filmes com roteiros fracos, mas com baixo custo e alta demanda por grandes bilheterias. Diga de credibilidade, pois, uma falsa mistura de Flash Gordon com Star Wars criada em apenas uma semana foi suficiente para repercutir em vários canais de mídia nacionais e internacionais.

> Ben Affleck mais uma vez prova que é um diretor de mão cheia e sabe usar misturar diferentes técnicas de filmagem para resultar em um filme maduro, sincero e envolvente. Com uma edição de cena bem construída em perfeita sincronia com uma trilha sonora empolgante, Argo cria momentos de puro êxtase equilibrados com momentos mais dramáticos, onde a tensão se intensifica a ponto de se tornar quase palpável. Destaque também para o trabalho de direção de fotografia e para os atores John Goodman e Alan Arkin. É incrível como uma história real pouco conhecida, e bastante inusitada, somada a uma direção competente e a um dos melhores roteiros do ano pode virar um thriller exemplar.

15 de novembro de 2012

Magic Mike !

Mike (Channing Tatum) é um experiente stripper, que está ensinando a um jovem a arte de seduzir as mulheres em um palco, de forma a conseguir delas o máximo possível de benefícios. Ao mesmo tempo que em passa seus conhecimentos para Adam (Alex Pettyfer), começa a se interessar pela a irmã dele, Brooke (Cody Horn). Com o tempo, Adam vai se mostrando cada vez mais confiante e deixa o dinheiro fácil subir na cabeça. Começa a lidar com drogas e a ignorar as pessoas próximas, mas ainda assim contará com a apoio de Mike e Brooke. Aí, o resumo do emtedo. Agora, vamos ver o seu conteúdo.

Channing Tatum fez uma pequena participação em "A Toda Prova", de Steven Soderbergh, e, durante as filmagens, contou-lhe que antes de ser ator havia sido stripper em um clube noturno, Soderbergh achou a história interessante e tratou logo de adaptá-la para um filme. Eis que surge Magic Mike.
O trunfo de Soderbergh como diretor está em não se manter preso a um mesmo estilo de filmes. Ele já dirigiu obras de ação, drama, policial, comédia, e essa versatilidade entre os gêneros o faz ter mais conhecimento das técnicas e estilos, o que faz com que seus trabalhos se destaquem em meio às produções comuns de determinado gênero. Esse ano pudemos ver seu excelente thriller, "A Toda Prova" e, agora, o drama com elementos de comédia Magic Mike, comprovando que Soderbergh quanto mais se arrisca em diferentes tipos de produções cinematográficas, mais ele conquista o respeito da crítica e a atenção do público. Pelo menos em tese, pois desta vez seu filme foi mais bem recebido pelo público.

"Magic Mike" não é um filme que exige uma longa duração ou um excesso de falas inteligentes. A função da película é mostrar a difícil vida de quem trabalha como stripper. Um dos poucos filmes que chegou a ter o tema de homens que tiram a roupa por dinheiro foi "Ou Tudo, Ou Nada" (1997), do diretor Peter Cattaneo, onde um grupo de amigos desempregados resolve fazer um show de stiptease para conseguir algum dinheiro, porém tudo era abordado com um clima um bem mais humorístico do que "Magic Mike". Diferente da comédia de 1997, o tema deste é a vida pessoal em confronto com a profissional de homens que trabalham com strippers, a falta de reconhecimento social, de respeito e de oportunidades, tudo causado pela falta de dinheiro que os leva a tal profissão.
O enredo escrito por Soderbergh e Carolyn Reid consegue mostrar, com louvor, como banal pode ser a vida de quem se deixa levar por todas as oportunidades de, digamos, “glamour”,  e a diversão “instantânea”, passageira veloz, que é a carreira profissional de stripper. A juventude passa rápido. O personagem Mike faz planos com o dinheiro que consegue na noite, tenta conciliar outros empregos, mas chega um ponto em que ele percebe que esse estilo de vida pode ser financeiramente boa, mas, também, é um empecilho para o avanço na vida pessoal.

Muito se fala sobre a produção se voltar para o público feminino. Normal, pois trata de homens que dançam para mulheres. Mas, como está aí, consegue oferecer entretenimento tanto para mulheres quanto para homens. Pode ser que, para estes, bem menos, mas consegue. Inegavelmente, o filme delicia as mulheres.

Matthew McConaughey e Channing Tatum, que até uns dois anos atrás não recebiam papéis que exigissem muito de suas veias artísticas, surpreendem aqui e mostram como são ótimos atores. O filme, por sua vez, foi um dos maiores sucessos de bilheteria de Soderbegh nos EUA e já se comenta a possibilidade se transformá-lo em um musical na Broadway.

26 de setembro de 2012

Ted !

> John Bennet (Mark Walhberg) não era uma das crianças mais populares e não tinha amigos, assim, durante uma noite de Natal, ele pediu que seu urso de pelúcia criasse vida e se tornasse seu melhor amigo durante toda a vida. O pedido de John foi atendido e Ted (dublado por Seth MacFarlane) passou a ser o amigo que John nunca tivera. Porém o tempo foi passando, e os amigos “cresceram”, agora adultos, eles perceberão que a amizade de um garoto por seu brinquedo não combina com estilo de vida de um John maduro e eles terão que abdicar de algumas coisas para que a amizade possa continuar.

> Não caberia aqui o tanto de referências que o diretor e roteirista Seth MacFarlane é capaz de fazer em apenas 30 minutos de filme. Seth é uma das pessoas mais inteligentes e versáteis da televisão norte-americana. Criador de três seriados de sucesso – e em 2013 está contratado para trazer de volta uma nova versão de Os Flintstones – ele obteve admiração unânime pelo público e por parte da crítica por sua animação Uma Família da Pesada (Family Guy), que em outubro irá para sua décima primeira temporada mantendo sempre uma ótima audiência. Family Guy é tudo de mais crítico, obsceno, engraçado, aleatório e arriscado que Os Simpsons tenta, ainda hoje, ser. Mas o que falta à família dos Simpsons, não é poupado na família dos Griffins, que é discutir e mostrar opiniões bastantes controvérsias sobre os mais variados assuntos, de eutanásia ao aborto, tudo graças ao inusitado Seth.

> É necessário que se introduza quem é Seth MzcFarlane pois o filme é ainda mais engraçado, e algumas piadas mais bem fundamentadas, quando já se acompanha o trabalho dele, por exemplo, saberá que em Family Guy ele gosta de sempre de bater na tecla que o ator Ryan Reyonlds é homossexual, e quando se vê que o próprio ator aceitou fazer um personagem gay no filme, a piada se torna mais “contextualizada”. Além da excelente trilha sonora, e de um incrível elenco de apoio vindo, também, direto da televisão - destaque para Joel McHale da série de tv perspicaz Community, o filme se mantém implacável até o final com o habilidoso trabalho de dublagem de Seth, que dubla o urso Ted em uma voz quase semelhante ao personagem Peter Griffin, de Family Guy, e também é motivo de piada para Seth no filme.

> Ainda fazendo referências a séries de televisão, o filme Ted, a partir de determinado momento de sua trama, seguirá os moldes do seriado australiano Wilfred, (que recentemente ganhou uma versão americana protagonizada por Elijah Wood), onde um jovem tenta progredir profissionalmente e amorosamente em sua vida, mas existe um cachorro chamado Wilfred (que só ele enxerga como um bizarro homem vestido de cachorro) que não quer deixar esse homem amadurecer e tudo que consegue fazer é trazer problemas e convencê-lo a fumar maconha no porão de casa. Então o protagonista terá que fazer uma escolha entre a vida, ou o cachorro, aqui no caso o urso Ted.

> Ted, como já vi sendo dito em vários outros textos, é uma ótima fábula moderna e muito contemporânea. As incansáveis referências ao cinema e a música dos anos 80, as cenas de perseguição com humor e as brigas entre personagens em lugares pequenos, são apenas alguns dos elementos em que Seth MacFarlane é mestre em dominar, e que consegue deixar o filme, e as comédias em geral, com um frescor surpreendente. O cinema agradece a presença de Seth em seus estúdios e torce para que ele não deixe seu humor afiado apenas na televisão, haja vista que o cinema ainda consegue um alcance maior de público internacional.

30 de agosto de 2012

Rock of Ages: O Filme (Rock of Ages)!

> Rock of Ages: O Filme conta a história de uma garota interiorana, Sherrie, e de um garoto da cidade, Drew, que se conhecem no Sunset Strip enquanto buscam por seus sonhos em Hollywood. O romance rock and roll é contado em clássicos e canções emocionantes de Def Leppard, Joan Jett, Journey, Foreigner, Bon Jovi, Night Ranger, REO Speedwagon, Pat Benatar, Twisted Sister, Poison, Whitesnake e muito mais.

> Não sei se houve muita mudança de roteiro entre a peça original e o filme, mas o resultado da adaptação foi uma grande bagunça divertida. Creio que não seja novidade para ninguém que o casal de protagonistas vai ter alguns conflitos na metade do filme e, no fim, vai ficar junto. Quem vai assistir a um musical sabe que a fórmula é sempre a mesma, por isso não ponho isso em discussão, mas o que difere um musical de outro é o que acontece, e como isso acontece, entre o início e o final feliz. E Rock of Ages: O Filme é um longa tão animado, tão barulhento e com personagens coadjuvantes tão talentosos que a gente nem se importa de saber que o casal principal vai terminar junto.

> Catherine Zeta-Jones – que ganhou seu Oscar justo em musical, Chicago (2002) - e Tom Cruise estão espetaculares e mostram mais uma vez o quão versáteis podem ser atuando. Destaque para as interpretações vibrantes de “Hit Me with Your Best Shot”, da americana Pat Benatar, por Catherine e de “Pour Some Sugar on Me”, da banda Def Leppard, por Tom Cruise. Muitas músicas boas em versões e mash-ups bem inteligentes marcam o filme.

> Porém nem todos os coadjuvantes têm a devida atenção na história. Para um filme de cento e vinte e três minutos de duração, todos os personagens mereciam uma trama particular bem resolvida, o que não acontece com os personagens da cantora Mary J. Blige do ator Bryan Cranston. Mary J. Blige é uma cantora de um incrível potencial e até conseguiu atuar de maneira competente, mas seu personagem aparece no filme de maneira instantânea e termina da mesma maneira, sem apresentar nada de sua personalidade. Já o personagem de Bryan Cranston tem uma trama mais definida, mas foi pouco explorado.

> Mesmo tendo algumas falhas na estruturação, o filme ganha créditos por seus números artísticos e pelo belo desempenho de todo o elenco, mesmo Julianne Hough (conhecida por dançar profissionalmente no reality show Dancing With the Stars) e Diego Boneta (novo no cinema e conhecido por seu papel na telenovela mexicana Rebelde e séries de TV americana) conseguiram cumprir com êxito seus personagens limitados. Adam Shankman, assim como Rob Marshall e alguns outros poucos diretores, merece respeito por manterem vivo o gênero de filme que já foi referência de Hollywood.

O Ditador (The Dictator)!

> O Ditador mostra a  heroica história do General Aladeen (Sacha Baron Cohen), ditador da República de Wadiya, localizada no norte da África. Ele dedica sua vida inteira a garantir que a democracia jamais chegue ao seu país, enquanto ergue estátuas em sua homenagem e cria seus próprios Jogos Olímpicos. Quando a comunidade internacional suspeita que Wadiya esteja construindo uma arma nuclear, ele é intimado a se explicar na sede da Organização das Nações Unidas, nos Estados Unidos. Mas seu encontro com a democracia americana não se passa exatamente como ele esperava…

> Sacha Baron Cohen se tornou conhecido internacionalmente por seu trabalho em Borat (2006), dirigido por Larry Charles, filme gravado como documentário em que ele interpretava um caricato repórter do Cazaquistão que viajara aos EUA para conhecer mais de sua cultura. A película não agradou a crítica e ao público mais conservadores, aos quais não agradaram as afiadas piadas politicamente incorretas, além de algumas cenas inusitadas, parte delas incluindo nudez e sexo. Quando se achava que a dupla Larry & Sacha não poderia se superar, eetornaram com o transgressor Bruno (2009), utilizando o mesmo estilo documental de Borat, mas agora tendo como protagonista um fashionista homossexual do norte-europeu e, com ele, muito mais cenas “chocantes”, para não dizer à beira da vulgaridade. Bom ou ruim é nesse tipo de humor que diretor e ator conquistaram adeptos e inimigos.

> Os outros filmes da dupla traziam uma campanha de divulgação absurda e criativa que eram as suas próprias gravações. Sacha invadia lugares públicos e eventos privados causando grandes confusões, apelando até para a destruição de bens, e se ficava perguntando se aquilo era real ou fictício, ou até mesmo quem era aquela figura. Porém O Ditador não traz o antigo estilo documental, o que limita bastante o alcançe de humor e situações por eles explorados. Ao adaptar o estilo hollywoodiano de fazer comédia, esta simplesmente não se ajusta às pretensões que o diretor e o ator pensaram para um enredo satírico e mordaz.

> O Ditador erra ao ter coadjuvantes desnecessários, piadas sempre já vistas e outras que se repetem exaustivamente até a cena final. O que se salva aqui são as alfinetadas políticas e uma trilha sonora tipicamente americana cantada em uma língua oriental, a qual, não sei se realmente existe, mas deixa tudo mais irônico. Se o filme tivesse apostado em piadas ferinas, no estilo dos filmes anteriores, como o uso de palavras oriundas do fictício país de Aladeen utilizadas no meio do inglês, a fórmula teria sido mais bem sucedida.

22 de agosto de 2012

Um Divã para Dois (Hope Springs)!


> Kay (Meryl Streep) e Arnold (Tommy Lee Jones) formam um casal que, já com algumas décadas juntos, estão presos em um casamento rotineiro e sem nenhum envolvimento emocional por parte de ambos. Então Kay decide levar seu impertinente marido para a terapia do Dr. Bernie (Steve Carell) que promete curar todo tipo de problema matrimonial, e então o casal terá que enfrentar alguns problemas velhos e esquecidos e outros novos e desconhecidos para fortalecerem seu relacionamento.

> Um dos elementos que difere Um Divã Para Dois dos demais filmes com terapias de casais, é que esse não mostra a “crise dos sete anos” tão comentada nas comédias românticas de Hollywood. Aqui temos um casal já com um histórico familiar considerável e que o matrimônio se vê estagnado em 31 anos de monotonia e rotina. O roteiro de Um Divã Para Dois é muito mais intimista do que qualquer outro filmes de divãs para casais e que só cabia para atores renomados como Meryl Streep e Tommy Lee Jones.

> Os protagonistas estão em atuações notáveis na comédia. Meryl Streep faz valer a pena qualquer filme em que apareça e Tommy Lee Jones está sensacional, muitas vezes consegue um feito quase impossível que é se destacar em algumas cenas que contracena com Meryl. E são personagens que podem parecer repetidos de início, mas que apresentam trejeitos e atitudes diferentes das comédias manjadas e repetidas. O forte aqui está nos diálogos e nas cenas muito bem rodadas de terapia onde piadas inúteis são evitadas e a graça fica na espontaneidade dos eventos. Um Divã Para Dois é um filme bom que se torna ótimo por seus protagonistas.

> O filme serve para provar que alguns tipos de comédias têm uma profundidade muito maior quando se valorizada o roteiro e a abordagem usada, pois é um filme que consegue agradar um público de várias idades, e com êxito. E diferente do que se vê em muitos outros, esse filme valoriza a instituição familiar tradicional, fiel e unida.

Lola (LOL)!


> Lola (Miley Cyrus) é uma jovem que namorava Chad (George Finn) até perceber que ele não se interessava só por ela. Por causa do mal desempenho de Lola na escola, sua mãe (Demi Moore) está pensando em cancelar sua viagem de final de semestre para Paris. E Kyle (Douglas Booth) é o melhor amigo de Lola que na verdade sempre foi apaixonado por ela. 

Desnecessário é o menor adjetivo que o filme pode receber. Lembro-me dos filmes de adolescentes que o talentoso John Hughes escreveu na década de 80 como Clube dos Cinco (1985), Garota Rosa Shocking (1986) e até mesmo Gatinhas e Gatões (1984) onde as problemáticas vividas pelos jovens protagonistas girava em torno de primeiros empregos, busca de identidade, tolerância e respeito, falta de atenção dos pais, entre outros. Quando se olha para trás e, depois, se assiste a um filme como Lola, onde a protagonista faz do término com o namorado o apocalipse e fica com raiva da mãe pelo carinho e atenção dela, me pergunto se são os roteiros dos filmes de hoje estão ficando rasos ou é a juventude americana.

Mesmo sendo a juventude, não há precisão de transformar tamanha banalidade em roteiro. E o filme tem uns lapsos de emoção enormes, “embasados” nas banalidades, que chega a ser quase cômico em alguns momentos, hora Lola e sua mãe estão discutindo pelo tipo de depilação que a filha fez, depois já são melhores amigas sem nenhum diálogo e fica nisso o filme inteiro, clichê em cima de clichê, sem uma explicação plausível para nada do que se está acontecendo ali. É uma grande sequência de eventos aleatórios que não faz o menor sentido e no final se conclui de uma maneira que todos já viram em muitos outros filmes. Lola é um remake de um filme francês, não assisti ao original, mas depois da versão americana, e sabendo que ambos têm a mesma roteirista, eu dispenso o primeiro.

Não há muito mais o que ser dito, só é lamentável que no passado já se tenham feito filmes que deveriam ser modelos a serem seguidos, e hoje, saem desastres como Lola. Longas com excelentes roteiros de boas problemáticas como Juno (2009) estão em falta no mercado atual. Os filmes de adolescentes e para adolescentes já foram imensuravelmente melhores e mais respeitosos com o público, resta saber se o público merece esse respeito ou vai receber de braços abertos e mentes vazias filmes como esse.