31 de janeiro de 2012

Histórias Cruzadas (The Help)!

> A jovem escritora Skeeter (Emma Stone) vai mudar o comportamento de sua cidade em Mississipi quando busca escrever um livro sobre a situação social das babás negras que criam as crianças brancas na década de 60. O livro é baseado em histórias das próprias mulheres que são entrevistadas por Skeeter. De início elas hesitam pensando que as entrevistas só poderiam prejudicá-las e Skeeter consegue a ajuda apenas de Aibileen (Viola Davis) que então influenciará outras mulheres a relatarem as particularidades e as dificuldades de suas vidas e mudará a maneira de pensar de muitas pessoas na cidade.

> Filmes que abordam o preconceito geralmente são bem desiguais na distribuição de emoções nas cenas, aqui isso acontece porque o filme por inteiro, tirando as cenas de romance, trata sobre o preconceito. O filme não tem nada de inovador nos quesitos técnicos, na verdade é até bem comum. Histórias Cruzadas é um filme despretensioso que, salvo pelas atuações, tem um desempenho dentro do esperado, na verdade é até uma surpresa ver que tamanhas interpretações – exceto a de Emma Stone, gosto muito dela, mas ela está deveras avulsa – saíram de um filme que não aparenta ser tão bom quanto é.

> Histórias Cruzadas
é filme de coadjuvantes. Viola Davis está sim em uma atuação tocante no filme, porém não se é dado o destaque necessário que a personagem merecia por seu uma protagonista. Com essa falha no roteiro, Octavia Spencer e Jessica Chastain roubam inteiramente as cenas de maiores destaque no filme. Octavia Spencer costuma fazer pequenas pontas em séries e filmes para televisão, na verdade esse é o primeiro filme em que a vejo com um personagem digno de dedicação da parte dela; arrisco-me a dizer até que o que deixa o filme mais agradável é a história de sua personagem e sua atuação cativante. Jessica Chastain em 2011 se mostrou uma atriz das mais completas tendo feito 3 grandes filmes e em cada um deles personagens bem distintos, mas não menos intensos.

> Esse não é filme feito para mudar conceitos, na verdade os conceitos aqui apresentados são fortes, mas bem repetidos de vez em quando no cinema, é mais um filme para expor e relembrar as condições desumanas que muitos já sofreram por causa de pensamentos e ideias pequenas, mas que causaram grandes problemas civis. É um filme redondo, sem erros graves e sem motivos para isso.

29 de janeiro de 2012

A Separação (Jodaeiye Nader az Simin)!

> Simin (Leila Hatami) está se divorciando do marido Nader (Peyman Moaadi) pois ele não está disposto a sair do Irã com a esposa e a filha e deixar o pai já bastante idoso e com mal de Alzheimer para trás. Simin sai de casa e então Nader contrata Razieh (Sareh Bayat) para cuidar de seu pai enquanto ele trabalha. Durante um mal entendido um acidente acontece na casa de Nader e fará com que a família dele e de Razieh, que está grávida, se envolvam em um julgamento onde a religião, a moral e a falta de comunicação serão os verdadeiros cukpados.

> O cinema iraniano que está sendo exportado nas duas últimas décadas trata sobre as problemáticas contemporâneas enfrentadas pela população do país e que quase sempre envolvem a religião – islamismo -, os direitos humanos e busca pela igualdade vinda de alguma classe oprimida. E essa proximidade com o real é que faz com que os filmes feitos no Irã ganhem cada vez mais o público ocidental, pois o Ocidente sempre teve e ainda tem muita curiosidade de como se comportam pessoas com culturas completamente diferentes em vista de problemas muitas vezes iguais. O realismo do cinema iraniano é diferente do realismo empregado pelo cinema brasileiro, enquanto lá eles buscam voltar seus enredos para dramas pessoais contextualizados nos problemas da nação, aqui vemos os problemas da nação de maneira generalizada descarregados em cima de um determinado grupo da sociedade. Tentando ser mais claro, enquanto o cinema iraniano tenta mostrar os conflitos de uma família conservadora na periferia do país tentando se moldar à sociedade e se basear no Islã simultaneamente, o cinema brasileiro prefere mostrar que a favela como um todo, ou os políticos como um todo, são sempre basicamente iguais e sofrem basicamente dos mesmos problemas.

> O diretor e roteirista Asghar Farhadi consegue um feito incrível aqui que é conseguir mostras as diferentes faces de um problemas sem induzir a opinião do espectador para algum dos lados. Em alguns momentos vai parecer que ele está se mostrando contra ou a favor de algum dos personagens, mas quanto mais se pensa mais se percebe que o filme está sendo imparcialmente perfeito. O elenco é bom, como de todos os filmes iranianos que são premiados. É um filme onde o drama está abrigado na complexidade do que parece ser simples, a tradição contra a necessidade e o acaso contra a oportunidade, para determinado ponto de vista.

24 de janeiro de 2012

Os Descendentes (The Descendants)!

> Matt King (George Clooney) tem sido um marido e um pai despreocupado com sua família, pois tem voltado toda sua atenção para seu trabalho. Até que enquanto viajava a negócios sua esposa sofre um acidente de lancha e entra em coma. Matt então volta sua atenção para a família e percebe que não tem dado a importância necessária às pessoas que mereciam e terá que conciliar suas filhas, a negociação de uma enorme quantidade de terra herdada por ele e seus primos e o fato de que antes do acidente, sua esposa estava tendo um relacionamento extraconjugal.

> Alexander Payne é um diretor sensível e que se expressa de maneira fácil e simples. É bom porque é um filme que envolve os mais diversos problemas familiares como alcoolismo, eutanásia, divórcio e traição, mas, ainda assim, é um filme agradável, sem o excesso de tristeza e melancolia - é muito provável que algum outro diretor transformasse a destreza usada por Payne em algo diabético, emocionalmente falando -. Sou sincero, sempre tive muito preconceito com George Clooney por apresentar na maioria de seus filmes a cara de canastrão em um personagem bastante canastrão, mesmo tendo me surpreendido em alguns, porém aqui ele está em uma de suas melhores, se não a melhor, atuação de sua carreira até então, onde ele pode mostrar toda sua habilidade em vários momentos que requerem diferentes expressões emocionais. O roteiro firme e bem estruturado é baseado em um romance homônimo.

> Filmes sobre família nos últimos anos só têm ganhado destaque se o roteiro for, digamos, voltado para as novas modalidades de família impostas pelo liberalismo da sociedade atual, porém esse filme mostra ainda a família como um grupo onde seus membros são diretamente dependentes uns dos outros e que mesmo com todas as dificuldades que porventura venham a enfrentar, a família ainda é aquela base que ajuda a sustentação daqueles que nela se apóiam, apesar dos pesares. “Os Descendentes” é um filme cheio de ideias fortes, agrade a quem assiste ou não e é também um filme surpreendente porque mesmo no início é mostrado como terminará o filme, e ainda assim o final é surpreendentemente emocionante.

21 de janeiro de 2012

Cavalo de Guerra (War Horse)!

> O jovem Albert (Jeremy Irvine) acompanhou o desde o nascimento do cavalo Joey e desde então mostrou uma afetividade com o animal. O cavalo ajuda a família de Albert em um momento de necessidade, porém, com a Primeira Guerra Mundial, o cavalo é vendido pelo pai de Albert (Peter Mullan) para o Capitão Nicholls (Tom Hiddleston) que promete a Albert que cuidará do cavalo da melhor maneira e que, ao final da Guerra, trará Joey volta. Albert então tentará entrar na Guerra para conseguir ter seu cavalo de volta, enquanto Joey passará por muitas situações difíceis causadas pela Guerra e tentará se manter forte o máximo possível.

> Não sou o maior fã de filmes onde animais são protagonistas - sejam eles falantes ou não -, mas a adaptação ‘Cavalo de Guerra’ teve o êxito de ter sido dirigida por Steven Spielberg, que consegue extrair emoção de quem quer que seja ou do que quer que seja. Spielberg aplica aqui enquadramentos e closes de maneira inteligentes que são marcas de seu trabalho como diretor, outro fato interessante é que ele torna o cavalo protagonista tão humano quanto qualquer outro ator, mas sem deixar que ele fique bobo e forçado – como a maioria dos animais amestrados em filmes. São raros os filmes cujo plano de fundo seja a Primeira Guerra Mundial, e aí que está o grande trunfo do enredo, a Primeira Guerra não teve o cunho ufanista pregado por muitas nações na Segunda Guerra, e essa é a deixa para o filme ir além do cavalo como sobrevivente de guerra e mostrar o cavalo como elo que em algum momento aliviará as tensões da Guerra, bem ao estilo de “Feliz Natal” (2005).

> O filme tem uma direção de arte riquíssima e uma fotografia excelente, e a trilha sonora de John Williams funciona de maneira infalível em todas as situações, como de costume em suas parcerias com o diretor. ‘Cavalo de Guerra’ não exige atuações marcantes, mas mesmo assim, tem atores dedicados em seus papéis. Destaque para Tom Hiddleston, para Niels Arestrup e para o principiante Jeremy Irvine que já trabalhou com cavalos fora do cinema e dispensou dublês em suas cenas. Alguns têm falado que, como todos os diretores que fazem filmes para os estúdios Disney, Spielberg virou marionete da produtora em ‘Cavalo de Guerra’, não só discordo como acho que é filme que se mostra ser maduro demais para ser vendido como “filme da Disney”, embora tenha a leveza deles, até porque não é um filme que tenha sido feito com o objetivo de mostrar certos horrores da Guerra.

> ‘Cavalo de Guerra’ trata sob a ótica da amizade os medos da guerra e as mudanças de comportamento que ela traz a quem se envolve nela, seja direta ou indiretamente. É um filme épico que traz lições nítidas sem ser piegas ou clichê e que trabalha com alguns momentos comportamentais sem divagar na psicologia e afins.

O Espião que Sabia Demais (Tinker Tailor Soldier Spy)!

> O filme é baseado no livro homônimo do famoso escritor John Le Carré e narra a história do aposentado membro do Serviço Secreto Britânico George Smiley (Gary Oldman) na tentativa de buscar um possível agente duplo (o filme se passa durante a Guerra Fria, logo o infiltrado também trabalha para os soviéticos) na divisão ‘Circus’. Todos os membros então ficam sob suspeita e entre eles se forma um clima de tensão. George então terá que descobrir no menor espaço de tempo possível quem é o agente infiltrado.

> Desmistificando logo de início, a história de “O Espião que Sabia Demais” não é tão complicada como se grita aos sete ventos em vários lugares. O que pode causar essa impressão é que esse filme não é um daqueles que nos dá as situações-problema logo no início e nos mostra quem são os personagens principais e possíveis suspeitos e também o fato de John Le Carré ser um escritor que mostra a espionagem de uma maneira densa e bem introspectiva – como fora a Guerra Fria em si – diferente das espionagens explosivas que o cinema costuma ver. São muitos personagens introduzidos, muitos codinomes em muitas situações diferentes, porém, convergentes, tudo isso desenvolvido em uma não-linearidade tão bem trabalhada que surpreende e faz pensar o quão bem desenvolvido o roteiro foi. Tudo é bastante implacável no filme, principalmente a direção de Thomas Alfredson que não deixa passar nenhuma emoção ou possível indício de sentimento.

> Já não bastasse a técnica invejável, o elenco é outra metade responsável pelo filme dá certo. Não há ninguém melhor que ninguém até porque não há necessidade para isso. Gary Oldman traz mais uma espetacular atuação com destaque para uma cena em particular em que descreve um encontro com um antigo conhecido e possível ‘vilão’ da história onde mostra domínio total de cena sem qualquer esforço. A lista de atores conhecidos e talentosos é bem vasta e conta com a presença, dentre alguns, de Colin Firth, John Hurt e Svetlana Khodchenkova.

> Não é um filme fácil de acompanhar no começo o que o torna ainda mais interessante, instigante e inteligente. Deve se dá muito destaque a um filme que consegue tratar uma obra bastante conhecida de maneira nova e que, mesmo com a maneira arrastada que ele se apresenta, vai aumentando sua velocidade, se tornando mais intrigante e prendendo cada vez mais a atenção à medida que o filme vai se resolvendo e ao mesmo tempo ficando mais complexo.

4 de janeiro de 2012

Lanterna Verde (Green Lantern)!

> Toda a paz e segurança do Universo é controlada pelos Lanternas Verdes. A cor verde que representa a força de vontade é canalizada em uma grande lanterna que abastece o poder dos anéis – cada representante de um setor do Universo recebe um anel e fica responsável por proteger aquela área. A única força capaz de derrotar a força dos Lanternas Verdes é o medo representado pela cor amarela, e o a grande força controlada e controladora do medo de Parallax consegue derrotar Abin Sur (Temuera Morrison), o represente do setor onde a Terra se encontra. Então o anel escolhe o destemido e audacioso Hal Jordan (Ryan Reynolds) para ser sucessor de Abin Sur, Hal, sofrerá em saber que é o primeiro humano a ter controle de um anel e também em saber que um grande mal intergaláctico o espera fora da Terra.

> É nítido que ‘Lanterna Verde’ é um filme esforçado e que tenta de todas as maneiras fazer o filme dar certo. Geralmente um filme de herói quando não resulta em uma adaptação impecável - volto a dizer que “Homem-Aranha 2” de Sam Raimi é a perfeita adaptação de um herói dos quadrinhos - ele tenta ser bom no (apelar para) romance, ou na comédia, ou até mesmo no vilão. Porém ‘Lanterna Verde’ já começou equivocado por escalar Ryan Reynolds para o papel principal, Ryan é um excelente ator em comédias, porém em filmes cujos personagens precisam passar por um momento mais sério, ele parece não levar muito a sério. Sim, o personagem Hal Jordan é prepotente e egocêntrico, mas existe um pequeno amadurecimento no meio do filme. Quanto a Reynolds, ele parece levar tudo de maneira irônica, fazendo com que ‘Lanterna Verde’ fiquei avulso entre a comédia e aventura.

> Boa parte dos super-heróis mundialmente populares tem algum relacionamento com forças alienígenas, e quanto a isso, ‘Lanterna Verde’ se mostrou bem destemido. Algumas adaptações tentam evitar ao máximo o envolvimento com os extraterrestres fazendo o herói perder boa parte de sua identidade, porém aqui, o filme necessita disso e não nega suas origens. Alguns efeitos visuais são notáveis e deram até certo estilo ao filme. Porém de maneira geral tudo pareceu de certo ponto imaturo, algo que se pretendia muito, mas que se concretizou pouco. Em relação ao roteiro ficou claro que ele busca uma continuidade, o que prejudicou bastante o filme. Os personagens alienígenas não são bem introduzidos e o filme não soube equilibrar entre as cenas que se passam na Terra e no espaço. Bom, imaturo, na verdade pré-maturo define ‘Lanterna Verde’, indico a animação “Lanterna Verde: O Primeiro Voo”, não para se fazer uma comparação, mas para ser ter uma noção do quanto, do vasto universo do herói, o filme evitou.