22 de fevereiro de 2012

O Homem que Mudou o Jogo (Moneyball)!

> Billy Beane (Brad Pitt) é o gerente geral do time de beisebol ‘Oakland A’ e seu time não vem apresentado o resultado desejado tanto pelos diretores quanto para os torcedores. Billy então tem a ideia de usar um programa de computador baseado em probabilidade e estatísticas para montar o time ideal a cada temporada de jogos. Tomando o jovem Peter Brand (Jonah Hill) como assistente, eles passarão a comprar jogadores baratos e desvalorizados para conseguir resultados rápidos e em seguida os venderão. Porém, nem todos conseguem ver essa tática com bons olhos e o futuro profissional de muitos do time ficará prejudicado.

> Primeiramente o que fez com que eu simpatizasse com “O Homem que Mudou o Jogo” foi o fato de, mesmo sendo um filme que trata de um esporte que é muito popular nos Estados Unidos, mas nem tanto em outros países, não é necessário que saibamos detalhes e regras do mesmo – o que enxuga ainda mais o filme, fazendo com que ele evite as cenas didáticas que empurram ao espectador todas as informações do esporte, para assim, termos noção sobre o que estamos assistindo. Ponto para o deveras criativo roteiro de Steven Zaillian e Aaron Sorkin. O roteiro trabalha também em perfeita sintonia com a esperta edição de cenas. O longa é filmado com uma veracidade que muitas vezes tudo aparenta ser o mais natural dos documentários.

> Brad Pitt interpreta seu personagem sem muitos exageros – o que foi um alívio, pois torcia para que não saísse nada novelístico como Sandra Bullock em “The Blind Side”, mas de maneira marcante e mostra que ainda se consegue ter bons papéis sem muita apelação de qualquer que seja o tipo. Jonah Hill, mesmo ainda usando sua expressão meio abobalhada, também tem ótimos momentos no filme e se mostra a altura de todos os grandes nomes do elenco. “O Homem que Mudou o Jogo” não pode, nem deve ser tratado como um simples filme de esporte e superação, primeiro porque o final do filme – para quem não conhece a história real – pode surpreender e segundo porque um dos objetivos do filme é expor a quantidade de dinheiro que circula por trás de um ‘simples’ campeonato esportivo. Além diso, o tratamento maleável que os jogadores de beisebol recebem – para garantir a estabilidade financeira daqueles que os empreendem -, e que muitas vezes desestruturam todo um planejamento de vida dessas pessoas e suas famílias.

> “O Homem que Mudou o Jogo” é um filme que dá certo em vários âmbitos, seja pela ‘superação’, seja pelo esporte e até mesmo pelas relações entre a vida pessoal e a profissional. É um filme que tem tudo para agradar qualquer espectador, afinal, o bom filme edificante e com uma mensagem de persistência nunca faz mal a alguém.

10 de fevereiro de 2012

O Artista (The Artist)!

> O ator George Valentin (Jean Dujardin) é o astro do momento na Hollywood da década de 20 e protagoniza vários filmes mudos com seu carismático cachorro. Porém, com o advento do cinema falado a indústria cinematográfica pede por novas estrelas e por mais filmes para se ouvir e George, que se recusa a seguir esse novo modelo de filmes, então sofrerá um decréscimo de atenção e sucesso em sua carreira, ao passo que Peppy Miller (Bérénice Bejo) verá nessa mudança sua oportunidade para o sucesso.

> Uma das razões para o bom resultado de “O Artista” é a ousadia e criatividade de ir além no quesito homenagem. A ideia ser bastante simples – um filme mudo e sem cores sobre a indústria dos filmes mudos e sem cores – também contribui para o sucesso do filme. Contudo, é importante ressaltar que essa ideia apenas resultou bem pelos fatores “mudo” e “preto e branco” porque sim, o roteiro não estabelece algo novo e sim, ele tem algumas semelhanças com “Cantando na Chuva”.

> Quem assistiu algum dos filmes do Agente 117 também com o diretor Michel Hazanavicius e com o ator Jean Dujardin sabe que o diretor é bem caricato no sentido de pegar um filme de determinado estilo, nesse exemplo as espionagens dos anos 60 de James Bond, e fazer algo parecido e cômico sem tirar o prestígio do gênero. E Jean Dujardin é também um ator bastante expressivo e que cabe de maneira justa em seus personagens, na verdade é difícil imaginar qualquer outro ator, ainda vivo, em um personagem que exige tanto, ele está magistral. A atriz que compõe o casal principal é Bérénice Bejo, uma graciosa atriz argentina não muito conhecida internacionalmente até então e que, apesar de ser considerada coadjuvante em alguns prêmios, é tão protagonista quanto Jean aqui. Forte atrativo nos filmes mudos é a trilha sonora e “O Artista” tem uma muito bem pensada e executada por Ludovic Bource que cumpre a impertinente função de uma trilha já famosa.

> “O Artista” não deve ser considerado apenas como “aquele filme mudo do Oscar”, ele representa toda uma inteligência que ainda vive no cinema mundial e que usa o básico como atrativo. É um soco no estômago do cinema contemporâneo, por assim dizer, que apela apenas para o estético e esquece a boa história, a história bem contada e até mesmo o bom senso.