14 de julho de 2012

O Espetacular Homem-Aranha (The Amazing Spider-Man)!


> Peter Parker é um jovem estudante que é mordido por uma aranha geneticamente modifica e adquire poderes que se assemelham às habilidades do anima, eis que surge o Homem-Aranha. Porém animais geneticamente modificados não deram resultados tão positivos ao Dr. Curt Connors que, ao injetar o DNA de um lagarto em seu corpo com o intuito de recuperar seu braço perdido como os répteis são capazes, ele sofre mudanças que podem deixá-lo bastante diferente do que imaginava.

> O Homem-Aranha (2002) de Sam Raimi foi o motivo principal que me fez ser aficionado por cinema e por quadrinhos, portanto, logo de início digo que O Espetacular Homem-Aranha não é melhor do que o primeiro filme de Raimi, embora um não tenha tecnicamente nada a ver com o outro. Não gosto de comparações, mas creio que é impossível não comparar um reboot com o antecessor tendo entre eles apenas uma década de diferença.

> Vamos aos fatos, O Espetacular Homem-Aranha tem seu primeiro ponto forte no elenco. Andrew Garfield e Emma Stone são deveras carismáticos como os protagonistas Peter Parker e Gwen Stacy. Destaque também para a doce Tia May da atriz Sally Field. Esse filme foi essencial para dá uma rejuvenescida em Peter Parker e acertou ao explorar mais o universo adolescente e escolar do personagem. Marc Webb em (500) Dias com Ela que sabe dirigir um romance com estilo e aqui podemos ver isso, embora algumas vezes piegas. A ação também está, trocadilhos à parte, espetacular. Andrew também trouxe, além de um Homem-Aranha mais piadista, uma agilidade a mais ao herói e isso foi bastante explorado em várias cenas de contorcionismos e saltos que se assemelham muito aos movimentos do herói nos quadrinhos. As cenas de luta entre o herói e vilão Lagarto são muito bem trabalhadas, divertidas e algumas até engraçadas.

> Mas meus problemas com o filme começam o timing dele. O filme demora um pouco para introduzir a origem do personagem e depois acelera o processo e passar por cima de alguns detalhes importantes e algumas vezes fazendo parecer que o filme parecia uma continuação em vez de um novo começo. Tiro o chapéu para a ousadia do filme, ele fez algumas escolhas bem corajosas, algumas deram muito certo como o próprio vilão Lagarto e outras nem tanto como o excesso de tecnologias e hologramas que deram uma visão “futurística” demais ao que era para ser bem simples. O roteiro ficou, digamos, independente dos quadrinhos. Tudo pareceu mais como releitura dos quadrinhos do que uma adaptação, Peter está tão descolado quanto nerd, tão corajoso quanto sentimental, não se ver aquela insegurança inicial que se vê nos quadrinhos. E como fã de quadrinhos espero que a história dos pais deles tenha acabado nesse filme, pois é um dos arcos mais desinteressantes do herói.

> No geral, é sempre gratificante ver um filme de heróis da Marvel com seus heróis humanos e suas boas ações. Espero que haja um amadurecimento na inevitável continuação e sei que as pessoas envolvidas na produção têm capacidade para isso, pois o que eu achava mais difícil de acontecer aconteceu que é o filme ter conseguido se mostrar independente, aonde necessário, dos filmes anteriores – embora creio que algumas semelhanças aqui e ali talvez tivessem deixado o filme mais simpático. Por bem ou por mal era necessário recomeçar então que bom que isso foi feito com um filme digno.

Poder Sem Limites (Chronicle)!

> Três jovens encontram uma substância misteriosa e ganham superpoderes ao entrar em contato com ela. Aos poucos vão descobrindo suas novas habilidades, como a capacidade de voar e telecinese, e o que fazer com elas. Porém um deles não saberá administrar seus poderes e poderá comprometer o segredo deles, entrar em confronto com as definições de moral, ética e respeito, e causar problemas muito maiores do que ele esperava.

> Já estamos em 2012 e o estilo de filmagem found footage (aquele com a câmera tremida filmado à mão) ainda está em alta. Digo ainda pois o precursor desse estilo, a Bruxa de Blair, já tem 13 anos e continua a ser, digamos, homenageado por outros filmes. E por mais que o estilo já esteja ficando manjado, esse ano tivemos Projeto X e Poder Sem Limites para provar que ainda resta criatividade nessa ideia. 

> O filme não tem muitas pretensões iniciais o que o torna surpreendente e instigante. O diretor estreante no cinema Josh Trank faz um bom trabalho aqui e só conseguiu um êxito melhor em seu primeiro trabalho porque parece que os produtores não quiseram investir o suficiente em efeitos visuais para deixar o filme mais, desse ponto de vista, digno de comparações com muitos blockbusters. Mas não que os efeitos tenham ficado ruins, não, longe disso, só não ficaram a altura do que merecia.

> O elenco pouco conhecido também deixou o filme com mais cara de uma "crônica" moderna e de documentário. O roteiro é cheio de alegorias, como a auto-suficiência que os jovens acham que possuem, superioridade e até bullying. Mas esses assuntos são abordados de uma forma que os deixam implícitos e não menos importantes por isso, não há aquela "mensagem final" ou "moral" que dá uma feição educativa para o filme - não que isso seja algo ruim - só não caberia de maneira nenhuma nesse filme. Há algumas surpresas inclusive no desfecho, em algum momento no meio do filme ele vai parecer que segue uma fórmula, porém existem mais supresas e mortes do que o esperado. Num geral, o filme é um projeto bastante inteligente disfarçado de um ordinário filme de adolescentes ou de filmes clichês de "heróis por acaso".

> A criatividade no estilo de filmagem em Poder Sem Limites é que, como todos estão passando pela mesma situação, nada mais justo do que todos poderem mostrar seus poderes e não deixar um deles simplesmente de fora filmando e com poucas cenas. Aqui a câmera passa por uma rotatividade e depois ela fila de maneira independente, sendo levitada com os poderes obtidos. Por sua independência de atores para fazer sucesso, por seus poderes obtidos sem uma explicação óbvia ou sem explicação nenhuma e pelo resultado simples, completo e até comovente, Poder Sem Limites merece ser visto.

Para Roma, Com Amor (To Rome With Love)!

> Woody Allen saúda Roma em seu mais recente filme, no qual mantém o mesmo estilo de humor crítico e refinado. Para Roma, Com Amor é uma comédia que mostra personagens distintos em situações cotidianas e cômicas que envolvem o poder do romance e das escolhas e têm em comum as locações da bela capital italiana.

> Começando com o elenco, Jesse Einseberg, Alec Baldwin e o italiano Roberto Benigni são atores que quando estão interpretando figuras simples e, digamos, rotineiras geralmente parecem interpretar o mesmo personagem. Não que suas interpretações deixem a desejar. Pelo contrário, o trio está bem como de costume, mas parecia estar em uma zona de conforto que faz com que suas atuações se assemelhem a personagens já feitos por eles em filmes anteriores. Merecem destaques as jovens atrizes Ellen Page e Alison Pill e o simpático casal de atores italianos Alessandro Tiberi e Alessandra Mastonardi. Mas em meio a tantos nomes, aquele faz os espectadores reagirem de maneira positiva é ninguém menos do que… Woody Allen, que volta a atuar depois de seis anos apenas por trás das câmeras.

> No roteiro, Woody Allen está mais uma vez afiadíssimo, aqui ele faz críticas explícitas ao excesso se atenção dado pela mídia a questões fúteis e também ao ato de "ser famoso". Ele se mostra mais uma vez um excelente cronista. Porém, diferente de Meia-Noite em Paris, onde era perceptível a diferença entre o plano real e o “fictício”, em Para Roma, Com Amor, leva um tempo para o espectador compreender quais os planos reais e imaginários de alguns esquetes. É um pequeno problema que, digamos, dificulta, o desenvolvimento de um esquete, mas nada que comprometa o andamento geral do conjunto.

> Não se vê Roma como um personagem da história como se via no filme-homenagem à Paris, em muitos momentos a cidade aparece mesmo apenas como um plano de fundo para o desenvolvimento de alguns segmentos. Mesmo assim, é lindo ver as locações italianas e os personagens em situações engraçadas, constrangedoras e inusitadas utilizando muito bem o espaço físico. Porém, se não fosse pelo personagem do próprio Allen e pelo carisma do roteiro o filme não fluiria de uma maneira natural como o diretor e roteirista já conseguiu fazer várias vezes em sua carreira.

Scott Pilgrim Contra o Mundo (Scott Pilgrim vs. The World)!!


> Scott Pilgrim (Michael Cera) é um jovem que consegue se virar com as garotas, embora algumas vezes tenha problemas em conseguir tirá-las de sua vida. Porém quando conhece Ramona Flowers (Mary Elizabeth Winstead) ele fica com receio de como agir com essa garota que parece completar perfeitamente sua vida “amorosa”, porém junto com Ramona, Scott ganhou seis ex-namorados dela com quem ele terá que lutar, litealmente, para ficar com ela.

> São raros os filmes conseguiram reunir de maneira tão peculiar os principais elementos da cultura pop de uma geração. O filme é um ode aos vídeo games, à musica, aos filmes e aos quadrinhos da década de 90 e início dos anos 2000. Scott Pilgrim Contra o Mundo é um filme frenético, ágil e usa os artifícios de outros meios culturais para deixa o roteiro mais fácil de ser aceito. Quanto mais se procurar, mais vai ser achado de referências e homenagens no filme. O longa é baseado em três livros graphic novels do escritor Brian Lee O’Malley que parece ter escrito para Edgar Wright dirigir, pois ele, como poucos diretores que têm surgido no grande mercado nos últimos anos, se mostrou digno de fazer um filme original com um material já existente.

> Edgar Wright trabalha muito bem com cores, artifícios visuais e tem uma edição de cenas que  responsável por cenas de ação impecáveis. Pode ser o tipo de história que não agrade um público de gerações mais antigas ou que se prendam por histórias mais fixas ao plano real, sem a mistura com fantasias, porém é inegável que o enredo de “Scott Pilgrim” é tão genial quanto jovial, tanto em termos de quadrinhos quanto em termos de cinema.  O elenco é bastante carismático e torna o filme todo mais simpático. Scott Pilgrim Contra o Mundo pode ser um filme pouco reconhecido por ter um público alvo mais direcionado, mas tem um conteúdo que surpreende. É um dos maiores crossovers culturais do cinema.