30 de agosto de 2012

Rock of Ages: O Filme (Rock of Ages)!

> Rock of Ages: O Filme conta a história de uma garota interiorana, Sherrie, e de um garoto da cidade, Drew, que se conhecem no Sunset Strip enquanto buscam por seus sonhos em Hollywood. O romance rock and roll é contado em clássicos e canções emocionantes de Def Leppard, Joan Jett, Journey, Foreigner, Bon Jovi, Night Ranger, REO Speedwagon, Pat Benatar, Twisted Sister, Poison, Whitesnake e muito mais.

> Não sei se houve muita mudança de roteiro entre a peça original e o filme, mas o resultado da adaptação foi uma grande bagunça divertida. Creio que não seja novidade para ninguém que o casal de protagonistas vai ter alguns conflitos na metade do filme e, no fim, vai ficar junto. Quem vai assistir a um musical sabe que a fórmula é sempre a mesma, por isso não ponho isso em discussão, mas o que difere um musical de outro é o que acontece, e como isso acontece, entre o início e o final feliz. E Rock of Ages: O Filme é um longa tão animado, tão barulhento e com personagens coadjuvantes tão talentosos que a gente nem se importa de saber que o casal principal vai terminar junto.

> Catherine Zeta-Jones – que ganhou seu Oscar justo em musical, Chicago (2002) - e Tom Cruise estão espetaculares e mostram mais uma vez o quão versáteis podem ser atuando. Destaque para as interpretações vibrantes de “Hit Me with Your Best Shot”, da americana Pat Benatar, por Catherine e de “Pour Some Sugar on Me”, da banda Def Leppard, por Tom Cruise. Muitas músicas boas em versões e mash-ups bem inteligentes marcam o filme.

> Porém nem todos os coadjuvantes têm a devida atenção na história. Para um filme de cento e vinte e três minutos de duração, todos os personagens mereciam uma trama particular bem resolvida, o que não acontece com os personagens da cantora Mary J. Blige do ator Bryan Cranston. Mary J. Blige é uma cantora de um incrível potencial e até conseguiu atuar de maneira competente, mas seu personagem aparece no filme de maneira instantânea e termina da mesma maneira, sem apresentar nada de sua personalidade. Já o personagem de Bryan Cranston tem uma trama mais definida, mas foi pouco explorado.

> Mesmo tendo algumas falhas na estruturação, o filme ganha créditos por seus números artísticos e pelo belo desempenho de todo o elenco, mesmo Julianne Hough (conhecida por dançar profissionalmente no reality show Dancing With the Stars) e Diego Boneta (novo no cinema e conhecido por seu papel na telenovela mexicana Rebelde e séries de TV americana) conseguiram cumprir com êxito seus personagens limitados. Adam Shankman, assim como Rob Marshall e alguns outros poucos diretores, merece respeito por manterem vivo o gênero de filme que já foi referência de Hollywood.

O Ditador (The Dictator)!

> O Ditador mostra a  heroica história do General Aladeen (Sacha Baron Cohen), ditador da República de Wadiya, localizada no norte da África. Ele dedica sua vida inteira a garantir que a democracia jamais chegue ao seu país, enquanto ergue estátuas em sua homenagem e cria seus próprios Jogos Olímpicos. Quando a comunidade internacional suspeita que Wadiya esteja construindo uma arma nuclear, ele é intimado a se explicar na sede da Organização das Nações Unidas, nos Estados Unidos. Mas seu encontro com a democracia americana não se passa exatamente como ele esperava…

> Sacha Baron Cohen se tornou conhecido internacionalmente por seu trabalho em Borat (2006), dirigido por Larry Charles, filme gravado como documentário em que ele interpretava um caricato repórter do Cazaquistão que viajara aos EUA para conhecer mais de sua cultura. A película não agradou a crítica e ao público mais conservadores, aos quais não agradaram as afiadas piadas politicamente incorretas, além de algumas cenas inusitadas, parte delas incluindo nudez e sexo. Quando se achava que a dupla Larry & Sacha não poderia se superar, eetornaram com o transgressor Bruno (2009), utilizando o mesmo estilo documental de Borat, mas agora tendo como protagonista um fashionista homossexual do norte-europeu e, com ele, muito mais cenas “chocantes”, para não dizer à beira da vulgaridade. Bom ou ruim é nesse tipo de humor que diretor e ator conquistaram adeptos e inimigos.

> Os outros filmes da dupla traziam uma campanha de divulgação absurda e criativa que eram as suas próprias gravações. Sacha invadia lugares públicos e eventos privados causando grandes confusões, apelando até para a destruição de bens, e se ficava perguntando se aquilo era real ou fictício, ou até mesmo quem era aquela figura. Porém O Ditador não traz o antigo estilo documental, o que limita bastante o alcançe de humor e situações por eles explorados. Ao adaptar o estilo hollywoodiano de fazer comédia, esta simplesmente não se ajusta às pretensões que o diretor e o ator pensaram para um enredo satírico e mordaz.

> O Ditador erra ao ter coadjuvantes desnecessários, piadas sempre já vistas e outras que se repetem exaustivamente até a cena final. O que se salva aqui são as alfinetadas políticas e uma trilha sonora tipicamente americana cantada em uma língua oriental, a qual, não sei se realmente existe, mas deixa tudo mais irônico. Se o filme tivesse apostado em piadas ferinas, no estilo dos filmes anteriores, como o uso de palavras oriundas do fictício país de Aladeen utilizadas no meio do inglês, a fórmula teria sido mais bem sucedida.

22 de agosto de 2012

Um Divã para Dois (Hope Springs)!


> Kay (Meryl Streep) e Arnold (Tommy Lee Jones) formam um casal que, já com algumas décadas juntos, estão presos em um casamento rotineiro e sem nenhum envolvimento emocional por parte de ambos. Então Kay decide levar seu impertinente marido para a terapia do Dr. Bernie (Steve Carell) que promete curar todo tipo de problema matrimonial, e então o casal terá que enfrentar alguns problemas velhos e esquecidos e outros novos e desconhecidos para fortalecerem seu relacionamento.

> Um dos elementos que difere Um Divã Para Dois dos demais filmes com terapias de casais, é que esse não mostra a “crise dos sete anos” tão comentada nas comédias românticas de Hollywood. Aqui temos um casal já com um histórico familiar considerável e que o matrimônio se vê estagnado em 31 anos de monotonia e rotina. O roteiro de Um Divã Para Dois é muito mais intimista do que qualquer outro filmes de divãs para casais e que só cabia para atores renomados como Meryl Streep e Tommy Lee Jones.

> Os protagonistas estão em atuações notáveis na comédia. Meryl Streep faz valer a pena qualquer filme em que apareça e Tommy Lee Jones está sensacional, muitas vezes consegue um feito quase impossível que é se destacar em algumas cenas que contracena com Meryl. E são personagens que podem parecer repetidos de início, mas que apresentam trejeitos e atitudes diferentes das comédias manjadas e repetidas. O forte aqui está nos diálogos e nas cenas muito bem rodadas de terapia onde piadas inúteis são evitadas e a graça fica na espontaneidade dos eventos. Um Divã Para Dois é um filme bom que se torna ótimo por seus protagonistas.

> O filme serve para provar que alguns tipos de comédias têm uma profundidade muito maior quando se valorizada o roteiro e a abordagem usada, pois é um filme que consegue agradar um público de várias idades, e com êxito. E diferente do que se vê em muitos outros, esse filme valoriza a instituição familiar tradicional, fiel e unida.

Lola (LOL)!


> Lola (Miley Cyrus) é uma jovem que namorava Chad (George Finn) até perceber que ele não se interessava só por ela. Por causa do mal desempenho de Lola na escola, sua mãe (Demi Moore) está pensando em cancelar sua viagem de final de semestre para Paris. E Kyle (Douglas Booth) é o melhor amigo de Lola que na verdade sempre foi apaixonado por ela. 

Desnecessário é o menor adjetivo que o filme pode receber. Lembro-me dos filmes de adolescentes que o talentoso John Hughes escreveu na década de 80 como Clube dos Cinco (1985), Garota Rosa Shocking (1986) e até mesmo Gatinhas e Gatões (1984) onde as problemáticas vividas pelos jovens protagonistas girava em torno de primeiros empregos, busca de identidade, tolerância e respeito, falta de atenção dos pais, entre outros. Quando se olha para trás e, depois, se assiste a um filme como Lola, onde a protagonista faz do término com o namorado o apocalipse e fica com raiva da mãe pelo carinho e atenção dela, me pergunto se são os roteiros dos filmes de hoje estão ficando rasos ou é a juventude americana.

Mesmo sendo a juventude, não há precisão de transformar tamanha banalidade em roteiro. E o filme tem uns lapsos de emoção enormes, “embasados” nas banalidades, que chega a ser quase cômico em alguns momentos, hora Lola e sua mãe estão discutindo pelo tipo de depilação que a filha fez, depois já são melhores amigas sem nenhum diálogo e fica nisso o filme inteiro, clichê em cima de clichê, sem uma explicação plausível para nada do que se está acontecendo ali. É uma grande sequência de eventos aleatórios que não faz o menor sentido e no final se conclui de uma maneira que todos já viram em muitos outros filmes. Lola é um remake de um filme francês, não assisti ao original, mas depois da versão americana, e sabendo que ambos têm a mesma roteirista, eu dispenso o primeiro.

Não há muito mais o que ser dito, só é lamentável que no passado já se tenham feito filmes que deveriam ser modelos a serem seguidos, e hoje, saem desastres como Lola. Longas com excelentes roteiros de boas problemáticas como Juno (2009) estão em falta no mercado atual. Os filmes de adolescentes e para adolescentes já foram imensuravelmente melhores e mais respeitosos com o público, resta saber se o público merece esse respeito ou vai receber de braços abertos e mentes vazias filmes como esse.

19 de agosto de 2012

Projeto X - Uma Festa Fora de Controle (Project X)!

> Três amigos não tão populares no colégio decidem fazer uma festa em seu último ano de colegial que a seus amigos nunca esqueçam. Porém festa toma proporções gigantescas trará algumas consequências, resultando em um evento que os EUA jamais vai esquecer.

> Projeto X é o melhor pior roteiro do ano. A ideia do filme é basicamente trazer entretenimento ao espectador com o entretenimento da festa. O início é bem direto sem introduções desnecessárias, mostrando apenas o que será de importância em determinado momento da festa. A festa em si paga o filme inteiro. São vários acontecimentos imprevisíveis que surpreendem na medida em que vão se desenvolvendo. Diferente de Superbad - É Hoje (2008), com que está sempre sendo comparado, Projeto X não gira em torno da sexualidade ou do romance, o filme tem seus relacionamentos e também a questão da popularidade, mas não deixa que isso guie o filme, a grande protagonista é mesmo a festa.

> A trilha sonora é boa, o elenco de jovens é competente e a direção do estreante Nima Nourizadeh prova que ainda resta criatividade para o estilo found footage. Destaque também para o diretor que conseguiu ler a filmar a linguagem dos jovens cotidianos sem estereotipar nem banalizá-la. Pode ser que Projeto X não agrade a um público mais intelectual que ainda pensa que o cinema só tem função de crítica, ou política, ou de arte pela arte. Esse filme mostra que a diversão descompromissada é um ponto positivo do cinema hoje, não que todos os filmes de fraco roteiro e bom desenvolvimento deem certo, mas deu certo com Projeto X. É divertimento por divertimento, sem nenhuma intenção maior por trás.

O Vingador do Futuro (Total Recall)!


> A Rekall é uma empresa que permite que seus usuários possam viajar para qualquer lugar da galáxia sem sair da Terra, apenas com implantação de memórias artificiais. Douglas Quaid (Arnold Schwarzenegger) é um operário que leva uma vida comum na Terra. Ao lado de sua esposa Lori (Sharon Stone), mas que está sempre tendo sonhos deveras realistas sobre Marte. Certo dia Quaid resolve ceder às maravilhas proporcionadas pela empresa Rekall e tem sua vida mudada e personalidade mudadas, e terá que fazer uma viagem espacial para saber quem realmente é.

> O Vingador do Futuro é um filme cheio de viradas na história que consegue realmente surpreender o espectador. Muitos filmes já usaram da mesma ideia de busca de personalidade, cheia de reviravoltas, desde então, mas poucos conseguiram dar um desfecho plausível para seus enredos como este. Cultuado pela sua plástica, o filme tem um uso de efeitos visuais e maquiagem que ajudou ainda mais a dar uma forte personalidade ao filme, personalidade essa que influenciou muitos filmes futuros, principalmente filmes B.

> O filme é o casamento perfeito entre os gêneros ação e ficção científica, e sabe explorar bastante esse último sem prejudicar o primeiro. O grande segredo está mesmo no infalível roteiro bem amarrado, baseado no conto "We Can Remember It For You Wholesale" do visionário Philip K. Dick, e no uso inteligente da direção de arte e efeitos gerais na construção de Marte.

Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge (The Dark Knight Rises)!

> Acusado de matar Harvey Dent e abalado pela morte de Rachel, Bruce Wayne (Christian Bale) se reclusa em sua mansão abandonando a cidade de Gotham City. Porém Wayne terá que brigar com sua depressão para trazer o Batman de volta, pois Gotham está se acabando aos poucos com o terrorista Bane (Tom Hardy) que está com grandes planos destrutivos para a cidade.

> Sim, achei melhor que anterior, mas não, não é o melhor filme de heróis já feito. Meus problemas com os “Batman” de Christopher Nolan é cada um dos filmes tem um defeito que prejudica tudo que eles poderiam ter sido e não foram. Mas da trilogia, esse é o filme que mais me agradou por diversos motivos. O primeiro deles é que é o último. Foi muito inteligente da parte do diretor saber quando parar e como parar, tendo em vista que esse seria o último em que se envolveria ele teve a liberdade e uma facilidade de aplicar ideias e projetá-las, encerrando sua contribuição no universo do herói de uma maneira bem sugestiva e completa.

> A trilha sonora de Hans Zimmer e a fotografia de Wally Pfister são os responsáveis por compor grande parte do estilo “Nolan” de filmagem, e aqui eles salvam muitas das cenas. Um dos motivos pelo qual não sou fã de Batman – O Cavaleiro das Trevas (2008) é que ele tinha intenção e potencial para ser um filme mais comprido e melhor desenvolvido, mas parece ter sido muito retalhado durante sua edição final. Já Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge não tem esse problema, ele se desenvolve sem pressa, o que na primeira meia hora não parece uma boa ideia, mas a partir de então, ele se torna mais grandioso a cada minuto. Batman é um personagem que merece destaque por ter uma das galerias de vilões mais famosas dentre os heróis de quadrinhos. Bane não tem a complexidade psicológica de Coringa, mas quanto à violência ele não deixa a desejar e Mulher-Gato é a ladra ágil que deixa o herói muitas vezes em perigo, e isso tudo está presente nessa adaptação.
Outro ponto que me fez simpatizar ainda mais com esse filme foi o fato de ele ter assumido mais a cara de “filme de herói” e não de “filme de arte” como se dizia falam do segundo. Há alguns clichês e até tiradas engraçadas, tudo em prol da diversão e do bom entretenimento como um filme de herói deve ser, o que não o deixa menos maduro e até mesmo “adulto” como uns falam. Sobre o elenco, destaque para a incrível Mulher-Gato de Anne Hathaway, no mais, todos estão igualmente competentes.

> Problemas com o filme estão em alguns momentos bem distintos. O primeiro dele é todo o início do filme, a sequência inicial é ótima, mas até o filme chegar a seu desenvolvimento ele passa por uma introdução lenta no melhor estilo noir. O segundo é nos excesso de explicações lógicas e flashbacks que não combinam com o conjunto do filme. O terceiro é que a voz do personagem Bane, mixada para que fosse mais bem ouvida e compreendida, algumas vezes sai mais alta que qualquer outro som da cena. E quarto é a penúltima cena que, se evitada, deixaria o final do filme ainda mais emocionante. Fora que é perceptível uma autoinfluência de Christopher Nolan em relação a algumas impressões de cena, algumas vezes parecendo reaproveitamento, de A Origem.

> Não é o filme mais fiel aos quadrinhos e nem teve essa intenção, mas Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge é o final mais digno possível para a trilogia. É possível ver influência de outros trabalhos cinematográficos e melhor, é possível ver que o personagem Batman pode ser explorado de diversas outras perspectivas e pontos de vistas sem sempre manter o tom melancólico e fúnebre.

Chernobyl (Chernobyl Diaries)!

> Um grupo de turistas se aventura com um guia não convencional a entrar na hoje cidade fantasma de Pripyat, que abrigava os trabalhadores de Chernobyl, cidade que, há algumas décadas, sofreu com um acidente nuclear que causou o seu abandono e isolamento. Porém, – usando um dos maiores clichês dos filmes de terror – , ao chegarem na cidade eles percebem que não estão tão sós quanto imaginavam.

> Para ser direto, não se vê nada de concreto assustando a cidade. Não contando com os animais que têm as melhores cenas de susto, o filme é aterrorizado por umas criaturas disformes e mal enquadradas que, quando é bem utilizado, poderia ter sido um recurso interessante, mas aqui não dá passa uma confiança sobre o que o diretor quis colocar em cena. É uma mistura de found footage, com terror selvagem, com zumbis e criaturas mutantes que no final o filme não consegue abarcar completamente nada disso.

> No início até acreditei que sairia algo suportável do filme. A trama estava digerível, atuações interessantes, tava indo acima da média para um filme de terror. Mas foi só a primeira cena de escuridão total aparecer para o filme começar a ruir. Os sustos têm seus méritos, mas não sustentam o filme inteiro. E o desfecho é tão injusto com o filme, não pela trama, mas porque um ótimo final talvez salvasse o filme quanto clichê. Se fosse tudo mais simples o filme teria conseguido mais. Por mais que se tenha feito uma propaganda tentando associar o filme a Atividade Paranormal, Chernobyl não tem nem a metade dos critérios criativos que o outro tem e o seu resultado é um estranho circo dos horrores do terror.