7 de abril de 2014

Noé (Noah)!

> Noé (Russell Crowe) vive com a esposa Naameh (Jennifer Connelly) e os filhos Sem (Douglas Booth), Cam (Logan Lerman) e Jafé (Leo McHugh Carroll) em uma terra desolada, onde os homens perseguem e matam uns aos outros. Um dia, Noé recebe uma mensagem do Criador de que deve encontrar Matusalém (Anthony Hopkins). Durante o percurso ele acaba salvando a vida da jovem Ila (Emma Watson), que tem um ferimento grave na barriga. Ao encontrar Matusalém, Noé descobre que ele tem a tarefa de construir uma imensa arca, que abrigará os animais durante um dilúvio que acabará com a vida na Terra, de forma a que a visão do Criador possa ser, enfim, resgatada.
> São incontáveis as abordagens e aberturas que o Noé de Aronofksy podem tratar dadas a sua origem e liberdade que Darren usou na direção e no roteiro. O filme, como se sabe, é adaptação de uma das histórias mais conhecidas da humanidade presente no livro do Genêsis, na Bíblia, e no capítulo com o nome do profeta no Alcorão. Porém, antes disso, é necessário que se saiba que Noé é a adaptação de uma graphic novel fantástico escrita também por Darren Aronofsky e Ari Handel, roteiristas do filme. Ou seja, realismo é o que menos se tem, ou se busca ter no filme. E, embora a mensagem principal da história tenha sido passada com sucesso, o filme destoa em muitos aspectos a história original, o que casa perfeitamente no filme.
> A produção apresenta ao público Noé como um homem duvidoso de algumas decisões a serem tomada em sua tarefa destinada por Deus, mas sempre destemido e obediente. O roteiro mostra o profeta como poucas vezes um filme se tem corajem de mostrar: humano. Não temos aqui um Noé sempre bondoso, compassivo e que aceita tudo o é pedido sem impedimentos ou questionamentos, mas um Noé preocupado em fazer o que é o certo, independente do que seja necessário ser feito. Noé também conta com uma mensagem ecológica bem dissolvida no aguaceiro do filme. O livre arbítrio e a postura de Deus no Antigo Testamento são pontos importantes que sustentam todo o filme.

> Esse é o terceiro filme em que Russell Crowe e Jennifer Connelly trabalham juntos, e mostram mais uma vez atuações primorosas que se completam, não por necessidade, mas por potencialidade. Com efeitos sutis e trilha sonora e fotografia belíssimas, Noé se difere de todo filme já visto que aborde qualquer temática do Antigo Testamento. São muitas as semelhanças com Fonte da Vida (2006) no que toca as temáticas da existência humana, seus propósitos e suas decisões. Noé é uma produção notável por conseguir compactar com sucesso, de uma forma que consiga, pelo menos, fazer sentido ao mais cético dos homens, num mesmo filme aspectos do criacionismo e da evolução, bem como da religião e da fantasia.

5 de abril de 2014

Ela (Her)!

> Ela se passa em um futuro não muito distante, onde o escritor solitário Theodore (Joaquin Phoenix) decide comprar um novo sistema operacional desenhado para atender todas as suas necessidades. Para surpresa de Theodore, se inicia uma relação romântica entre ele e o sistema operacional, ou melhor, a deliciosa voz que tudo responde (é a de Scarlett Johansson). É uma história de amor não convencional que mistura ficção científica e romance em um doce conto que explora a natureza do amor e as formas como a tecnologia nos isola e nos conecta.
Há cerca de quatro anos li uma notícia que dizia quem um britânico havia, após declarar que o amor de sua vida era seu Playstation 2, oficialmente mudado seu nome para Sr. Playstation 2. Meses depois li que um japonês havia se casado legalmente com uma personagem de um jogo digital. A tecnologia evoluiu imensuravelmente nesses quatro anos, e o atento e sensível diretor Spike Jonze parece ter notado que os smartphones e seus sistemas operacionais cada vez mais evoluídos estão prestes a recomeçar essas conhecidas histórias de isolamento humano.
> Ela tem uma das premissas mais interessantes do cinema no que toca aos dois gêneros citados inicialmente. Em relação ao romance temos uma representação moderna de um amor platônico, não o sentido romântico do platônico, mas o sentido literal, um amor impossível. Ao mesmo tempo em que se é, digamos, compreensível que um homem em processo de depressão encontre em algo – mesmo que um objeto -, uma vontade de viver, é duro, triste e até inaceitável o fato de vermos que as relações entre pessoas humanas não supre mais as nossas necessidades humanísticas.
> Em relação à ficção científica Ela é um daqueles filmes que dá um frescor ao gênero e amplia o seu campo de extensão no cinema. Gravidade, obra do gênero com maior número de indicações ao Oscar e provável ganhador da maioria aos quais concorre – afora também ser considerado uma inovação entre as ficções científicas no cinema -, se atém à acontecimentos mais reais e científicos do que propriamente fictícios. Porém, Ela consegue ser ainda mais minimalista, sentimental e intimista, uma vez que não depende de tantos efeitos visuais e trata de uma história mais próxima da grande maioria das pessoas.
> O filme não aborda simplesmente o apego do ser humano à tecnologia, mas também a dificuldade do desapego de um relacionamento e as crescentes diferenças e questionamentos sobre a tolerância do amor. Assim que o personagem Theodore decide formar um casal com a voz de seu celular não há uma problematização sobre a sua escolha, pois todos ao seu redor já se encontram excluídos do convívio social e apegados à seus pequenos aparelhos que aparentemente os bastam. É uma história de ficção, mas bem familiar para nós.  Ela é uma das histórias de amor mais precisas para a atualidade e que não precisa de grandiosas cenas ou atuações gritantes para se mostrar um filme competente. Joaquin Phoenix mais uma vez demonstra que sua atuação mais recente é sempre melhor que a anterior e a faz em grande parte do filme, que é uma espécie de monólogo; e Scarlett Johansson consegue apenas com sua voz interpretar um dos papéis mais interessantes de sua carreira e que rendeu alguns prêmios.
> No sentido em que mostra a incansável busca do homem pela idealização da mulher, submissa e manipulável, a produção relembra outra ficção científica que foge do esperado ao gênero, o excelente As Esposas de Stepford (1975), de Bryan Forbes. Sociologia, antropologia e filosofia têm nesse filme um campo vasto de estudo, sob diferentes perspectivas e abordagens  do ser humano e de sua relação com os seus semelhantes e com a tecnologia. Ela é alerta em forma de poesia visual e drama em forma de romance.

A Menina que Roubava Livros (The Book Thief)!

> Baseado no livro best-seller homônimo, A Menina Que Roubava Livros conta a história de Liesel, uma garotinha extraordinária e corajosa, que vai viver com uma família adotiva durante a Segunda Guerra, na Alemanha. Ela aprende a ler, encorajada por sua nova família, e Max, um refugiado judeu, que é escondido embaixo no porão. Para Liesel e Max, o poder das palavras e da imaginação se tornam a única escapatória do caos que está acontecendo em volta deles. A Menina Que Roubava Livros é uma história sobre a capacidade de sobrevivência e resistência do espírito humano.
> Sempre que um filme aborda um tema delicado como a Segunda Guerra baseado na perspectiva infantil deve-se ter cuidado para que o resultado não seja demasiadamente velado, e acabe tornando superficiais as consequências da guerra por ter focado na vida de uma criança. A Menina que Roubava Livros consegue passar por cima disso, primeiramente, pela inteligência de seu roteiro. Aqueles que leram o livro no qual o filme se baseia sabe que a menina Liesel sofre com ações diretas ou indiretas da guerra em muitas partes do livro, o que deixa a história mais emocionante e real. Assim como no pequeno e memorável O Menino do Pijama Listrado (2008), de Mark Herman, o protagonismo infantil não diminui a intensidade da destruição da guerra no filme.
> Porém, apesar de sensível, o filme conta com um roteiro apressado e que, por isso, creio, não só aqueles que leram o livro se agradariam ainda fosse mais longo. O fato é que, apesar de suas duas horas de duração, A Menina que Roubava Livros não consegue apresentar e desenvolver os seus personagens da maneira que é vista no livro. Gosto sempre de frisar que, por mais que se reclame de adaptações cinematográficas, elas nunca serão tão parecidas, quanto se deseja,  com a obra original nas quais se baseiam. Primeiro porque é a leitura de um roteirista, um diretor – algumas vezes até de um estúdio – sobre aquela história; e, segundo, que são recursos semióticos diferentes, aqui no caso, um joga com as palavras e não requer um tempo determinado, e o outro joga com imagem e som e tem uma duração a se determinar.
> Mas, se percebe quando muito do que é essencial em um livro não aparece no filme. No romance do australiano Markus Zusak temos um amadurecimento mais perceptível da protagonista Liesel ao vermos a sua áspera relação com a nova mãe, Rosa, no início de sua vida com a família Hubermann, diálogos mais constantes com o menino Rudy, noites e noites de leitura com o seu pai por adoção, Hans, no porão, o seu envolvimento com as crianças de sua rua – onde são apresentados mais personagens infantis –, e uma relação maior de correspondência entre Liesel e Ilsa Hermann, a mulher do prefeito, nada disso é tão presente no filme quanto no livro. Creio que dois personagens mereciam um destaque bem maior no longa do que mereceram. São eles: a citada mulher do prefeito, Ilsa – que no livro fala sobre sua vida, da perda de seu filho e de sua paixão pelos livros –, o que deixa ainda mais claro o seu interesse por Liesel. O outro é o narrador/observador – a morte -, que guia toda a trama, e no livro torna todo o desfecho mais interessante ao usar sinestesias que tornam as suas falas nos momentos mais memoráveis do romance.
> Os jovens atores são bem competentes e conseguem segurar as suas cenas ao lado de nomes como Geoffrey Rush (Hans) e Emily Watson (Ilsa). Outro ponto de destaque é a forte trilha sonora de John Williams, responsável por dramatizar e aliviar as cenas necessárias com sua composição. Assim, A Menina que Roubava Livros é um filme que não desagrada, mas que também não satisfaz completamente ao público mais crítico – que é àquele que leu o livro. Contudo, se as suas duas horas de duração não foram suficientes para abarcar grande parte do todo conteudístico do romance, me pergunto se um filme mais longo conseguiria tratar de tudo, porém, sem se tornar maçante e cansativo. E isso me fez gostar e aceitar um pouco mais o filme de Brian Percival.

Trapaça (American Hustle)!

> Irving Rosenfeld (Christian Bale) é um grande trapaceiro, que trabalha junto com a sócia e amante Sydney Prosser (Amy Adams). Ambos são forçados a colaborar com um agente do FBI (Bradley Cooper), infiltrando-o o perigoso e sedutor mundo da máfia. Ao mesmo tempo, o trio se envolve na política do país, através do candidato Carmine Polito (Jeremy Renner). Os planos parecem dar certo, até a esposa de Irving, Rosalyn (Jennifer Lawrence), entrar em cena e mudar as regras do jogo.
> Trapaça é o tipo de filme que conta com um enredo interessante (por ser baseado em personagens reais), uma boa premissa e muito potencial a ser desenvolvido. Porém, as escolhas do diretor não são coerentes e ajustadas, afetando o filme durante o seu desenrolar. E, infelizmente, lamente-se que o diretor  e roteirista David O. Russell tenha feito uma bagunça no conjunto da obra, a qual se resume a boas atuações, algumas referências que quase se assemelham a cópias de outros filmes e muita cafonice.
> Com uma direção bagunçada, recortada e cheia de erros de continuidade, o esforço com queTrapaça tenta tornar real toda sua construção artificial é notável. Começando com narrações do ponto de vista de diferentes personagens, o que seria uma excelente escolha o fato de não se assumir apenas um ponto de vista da história, porém cada narração explica tanto e mostra tanto que chega a subestimar a capacidade do espectador de acompanhar o simples enredo. David O. Russell tenta aplicar um clima noir e carrega em diálogos complicados e foca muito nas negociações desnecessárias para tentar amadurecer uma história até bem fácil de se entender.
> No entanto, são um tanto berrantes os figurinos, cenários e penteados – e tão exagerados –, que  faz com que algumas cenas se assemelhem a uma satírica esquete humorística do semanalSaturday Night Live. Não sei se foi intencional por parte do diretor, torço para que sim, porque algumas cenas lembram filmagens de produções de baixo custo da década de 70, o que seria uma ideia interessante caso ele resolvesse assumir essa postura em todos os momentos de suaTrapaça. Porém, existem intercalações de outras referências fílmicas nas quais David O. Russell se baseia, o que resulta na aparência de uma costura de retalhos de Scorsese e Paul Thomas Anderson, entre outros. Para ser mais específico, algumas os diálogos, o jazz simultâneo às falas entre personagens, a direção de arte, e até o jogo de câmeras remetem bastante a Os Bons Companheiros (1990), Cassino (1995) ou Boogie Nights: Prazer Sem Limites (1997).
> Tudo é tão caricato que, se não fossem pelas atuações convincentes de Christian Bale, Amy Adams, Jennifer Lawrence e Jeremy Renner eu não acredito que o filme teria sido tão bem visto por alguns críticos e não teria conquistou os prêmios que obteve. Quanto a Bradley Cooper, em especial, acredito que devesse continuar em suas comédias que são bem mais convincentes do que seus filmes mais sérios. Eu nunca o considerei bastante talentoso ao ponto de para vê-lo ser indicado, por duas vezes consecutivas, ao Oscar – e ainda por cima por papéis tão esquecíveis.
> O que mais me incomoda nos últimos filmes de O. Russell é a sensação de repetição que ele consegue transmitir a cada novo trabalho. Chega-se a um determinado ponto de Trapaça, assim como em O Lado Bom da Vida (2012), em que o enredo simplesmente não parece sair do lugar, embora não parem de surgir situações e personagens novos. E esse sentido de estagnação do roteiro deixa o desenvolvimento narrativo bem cansativo para o espectador. Falta a Russell um roteiro vigoroso como o de O Vencedor (2011), no qual o trabalho dos atores reforçam a criação de momentos memoráveis e emocionantes – e não seja apenas uma vitrine para a exposição de seus talentos.
> Não é que eu tenha detestado cada segundo de Trapaça. Considero-o um filme com problemas estruturais, e, por isso, distante de ser a obra-prima que se têm sido dito por aí, entre os críticos admiradores do cineasta. Acredito e reforço esse ponto, que o excesso fez o filme perder muito de sua veracidade ou a expressão de realidade. Excesso de cortes, excesso de maquiagem e perucas, e excesso, acima de tudo, de referências cinematográficas. David O. Russell errou a mão entre homenagem e cópia. O título nacional pede um trocadilho merecido sobre o que esperar do filme. Trapaça é uma produção voltada para ganhar premiações. Se o público gostar, muito bem, será um sucesso de bilheteria; se não, os votantes da Academias, Associações e de festivais tratarão de prontidão para premiá-lo – como tem acontecido. E para David O. Russell, isso é o que o importa.

Uma Aventura LEGO (The LEGO Movie)!

> A aventura animada em 3D conta a história de Emmet, uma minifigura LEGO seguidora de regras e perfeitamente comum, que é erroneamente identificada como a pessoa mais extraordinária e que é a chave para salvar o mundo. Ele é recrutado para integrar uma sociedade de estranhos e diferentes e seguir uma jornada épica para deter um tirano. É uma viagem divertida, para a qual Emmet vai totalmente despreparado.
> Há uns 7 anos, o ramo da animação do cinema era dominado por dois polos aparentemente insociáveis: a parceria Disney-Pixar de um lado e a sempre insistente, e, às vezes até melhor do que a concorrência, a Dreamworks Animation Studios. As crianças esperavam ansiosas pelo meio do ano, férias estudantis e verão em Hollywood e pelo final do ano para poderem ver no cinema as grandes produções dos dois estúdios que tratavam sempre de trazer, em suas produções, histórias ótimas e roteiros criativos, aliados a uma animação de qualidade técnica cada ano mais primorosa. Porém, de lá pra cá, vários estúdios passaram a investir pesado no lucrativo setor de animação a fim de para poderem abocanhar uma parte crescente desse público. Hoje, inúmeras animações são lançadas em todos os períodos do ano – algumas delas bastante esquecíveis, é claro -, mas são as produções dos 2 estúdios que continuam a frente e conseguem provar que a época da polaridade nas animações está acabada. E que o público infantil já não é mais o alvo central, como é o caso de Uma Aventura LEGO.
> A empresa LEGO produz seus icônicos brinquedos de montagem em escala mundial desde a década de 50 e conquistou quase 7 gerações com seus divertidos puzzles que abrangiam personagens, objetos e lugares. Na década de 2000, a LEGO passou a produzir além de brinquedos, jogos digitais e filmes. Porém, os filmes que tinham os famosos personagens amarelos nada mais eram do que versões LEGO de histórias já conhecidas ou de personagens já existentes – nada tão inédito e autoral como Uma Aventura LEGO. Esta animação é recheada de metapiadas, clichês propositais e sátiras que deixam o filme até mais interessante para adolescentes e adultos do que precisamente para as crianças – mesmo porque a censura é para maiores de 14 anos.
> O afiado roteiro aborda, para os adultos, o controle social, a desumanização do homem e a falta de tolerância; e para as crianças, além de apresentar um dos brinquedos mais influentes de todos os tempos, o filme prega a tolerância e a compreensão e mostra que ainda existe muito divertimento nos brinquedos. A produção também enfatiza a importância desses, em especial propositalmente os do LEGO, diretamente no desenvolvimento da desenvoltura criativa da criança – embora essa seja uma mensagem mais voltada aos pais. Por ser da Warner, muitos dos mais conhecidos personagens do cinema e dos quadrinhos estavam liberados para serem representados no filme, e assim temos pessonagens de Harry Potter, O Senhor dos AnéisLiga da Justiça Tartarugas Ninjas, entre outros, ilustrando e dinamizando ainda mais o desenvolvimento do filme.
> É impossível, ao término de Uma Aventura LEGO, não lembrarmos dos melhores momentos da trilogia Toy Story, e não é qualquer animação produzida hoje que consegue o feito de se equiparar ao roteiro de um dos marcos da animação como a estreante animação da Pixar de 1996. Mas a mensagem às crianças e adultos, a técnica empregada e todas as piadas e referências, fazem de Uma Aventura LEGO uma das melhores animações do últimos cinco anos.

A Hora Mais Escura (Zero Dark Thirty)!

> Os ataques terroristas sofridos pelos Estados Unidos em 11 de setembro de 2001 deram início a uma época de medo e paranoia do povo americano em relação ao inimigo, onde todos os esforços foram realizados na busca pelo líder da Al Qaeda, Osama bin Laden. Maya (Jessica Chastain) é uma agente da CIA que dedicou 8 anos de sua vida em localizar e, ao descobrir os interlocutores do líder do grupo terrorista, tenta convencer os seus superiores a uma ação para capturá-lo. Com isso ela participa da operação que levou militares americanos a invadir o território paquistanês, com o objetivo de capturar e matar bin Laden.
> O roteirista Mark Boal provou que suas fontes são realmente boas e conseguiu um material que rendeu pano para muita manga. Primeiro porque o governo americano teve que examinar o filme do início ao fim para garantir que nada do que seria exibido ali expusesse qualquer pessoa ou organização na vida real. Segundo porque detalhes de diálogos e operações secretas foram filmados com precisão e cautela, coisa que muitos outros filmes políticos não conseguem e acabam gerando inúmeros processos – tirando o fato que as cenas de tortura por parte do Governo estadunidense não agradou a muita gente, especialmente políticos ligados ao ex-presidente Bush.
> Outra abordagem do filme, mesmo que de forma não intencional, é o feminismo, visto que a personagem Maya é recebida em sua tarefa com natural desdém pelos seus companheiros de trabalho. Mas é, por assim dizer, sua intuição que faz com que a operação de caça a Osama seja executada e se saia bem sucedida. Bigelow mostra que tem ótimas ideias de construção de cenas e que ainda se é capaz de fazer um filme rico com apenas coragem, boas fontes e empenho do elenco. Jessica Chastain está impecável em sua atuação e o todo o elenco de apoio é incrivelmente competente e promissor.
> Na parte da ideologia, A Hora Mais Escura é um filme bem mais complexo do que aparenta e que pode gerar horas de debates. É incrível ver o quanto um país pode se dedicar para ver o final da vida de uma pessoa (Bin Laden). É o ponto mais alto da banalização da vida – ou da morte. Talvez seja difícil para muitos de nós – que vivemos em um país onde não há punições como penas de morte ou fundamentalismos difusos em grandes proporções que preguem a aceitação ou a justificação de certos tipos de morte como sacrifício e etc. -, receber de maneira plausível uma vingança pura como a morte de Osama Bin Laden.
> É a longa história de se pagar morte com a morte como solução de confrontos ideológicos e comportamentais - e é um ciclo vicioso pelo qual não simpatizo -, mas que as nações envolvidas se dedicam com afinco, pois, afinal, creio na filosofia cristã de que nenhum homem tem o direito de tirar vida de outro, ou seja, tanto os EUA quanto Bin Laden são culpados, mas isso geraria um infinito ciclo na história que não resultaria em uma primeira vítima ou em um real motivo para tal banalização da morte. O fato é que o fim de Bin Laden ‘vinga’ as mortes do 11 de setembro e inúmeras outras, mas isso não muda o fato de que eles estarão para sempre mortos – fica no zero a zero.
> É um thriller que trata de obsessão, ufanismo, vingança e reflete o quão raso é o valor que a vida de um (ou de milhares) ser humano tem sob as mais diferentes perspectivas. A Hora Mais Escuraé um filme que quanto mais se disseca, mas se torna intrigante, profundo e relevante. É uma produção simples, delicada e ao mesmo tempo complexa e que deixa bons questionamentos e reflexões para o público.

Django Livre (Django Unchained)!

> Django (Jamie Foxx) é um escravo comprado pelo caçador de recompensas alemão Dr. King Schultz (Christoph Waltz) para auxiliá-lo em uma missão. A dupla acaba fazendo amizade e, após resolver os problemas do caçador, parte em busca por Broomhilda (Kerry Washington), esposa de Django. Para isso, eles devem enfrentar o vilão Calvin Candie (Leonardo DiCaprio), proprietário da escrava.
> Django Livre é mais um divertidíssimo filme de Quentin Tarantino. Para aqueles que não gostam que resgatem o passado, acharão de cara um filme desrespeitoso para com os escravos, bem como fora Bastardos Inglórios para os nazistas e até mesmo para os judeus, porém deve-se ter em mente ao assistir um filme de Tarantino que o humor negro ali presente ‘só’ tem intuito de mostrar parte da realidade da época e satirizá-la. O diretor mais uma vez abusa de seu estilo e de sua carga de conhecimento que tem sobre os mais diferentes tipos de filme, dessa vez dos westerns, e faz uma aventura cheia de referências e homenagens.
> Leonardo DiCaprio e Samuel L. Jackson estão espetaculares em seus papéis e são atrações à parte do filme. Porém Christoph Waltz deixa um pouco a desejar, tanto nas piadas quanto nos cacoetes, o ator parece está repetindo seu deslumbrante papel de Bastardos Inglórios só que em contextos diferentes. Na verdade tudo continua muito característico e escrachado nos filmes do diretor, como se tudo aquilo não passasse de uma caricatura. Os sotaques são gritantes, a violência é fácil e rapidamente encontrada e tudo que já se espera do estilo Tarantino de filmagem. Talvez por não ter essa atitude de seriedade é que ele fique mais divertido.
> O todo do filme me agradou bastante, apesar de alguns errinhos notáveis de continuação, uma montagem meio falha e algumas cenas irrelevantes – a cena com Jonah Hill é digna dos primeiro filmes do ator e poderia ficar apenas em uma versão de diretor do filme. Não sei se Django Livre foi feito para ser levado à serio, ou apenas para homenagear os westerns, ou uma sátira, (ou até os três juntos), apenas sei que o longa é válido por ter ótimos diálogos, tomadas longas excepcionalmente construídas e por trazer um frescor ao gênero western atualmente cansado.

Cine Holliúdy!

> A chegada em massa da televisão no interior do Ceará, na década de 1970, colocou em risco as salas de cinema da região. Mas um herói, chamado Francisgleydisson, resolveu lutar contra o domínio televisivo. Suas armas: criatividade e muito bom-humor.
> Não sou de criticar o cinema brasileiro como um todo, pelo contrário, defendo a todo custo os filmes nacionais regionalistas, principalmente quando a abordagem temática é o Nordeste. E Cine Holliúdy vem comprovar que o melhor do Brasil é, de fato, o regional e o popular. Infelizmente o nosso cinema ainda peca bastante no gênero comédia em termos de qualidade, mas já há produções tanto engraçadas quanto memoráveis – geralmente aquelas produzidas pela Globo Filmes. Mas, a Terra do Humor dá a sua contribuição com Cine Holliudy. E se tem tem cearense dirigindo, roteirizando uma história com os elementos de sua terra e com os seus comediantes atuando, não existe a possibilidade de não termos um filme refrescante para o gênero ô xente! A critério de informação, o longa de Halder Gomes é baseado no seu curta Cine Holiúdy – o Astista Contra o Caba do Mal (2004), detentor de mais de 40 prêmios.
> Dentre os vários motivos que levam o espectador ao cinema para ver a comédia, o linguajarcearensês é sem dúvidas o que mais o atrai. Tanto é que está com legendas para que os não cearenses ou ‘não-tão-cearenses’ possam entender melhor algumas peculiaridades das falas que recheiam o filme de bons momentos. E o humor em Cine Holliúdy é inteiramente solto e funcional ao apresentar os seus personagens interioranos, alguns estereotipados, acompanhadas de algumas alfinetadas da política à religião. É a prova de que esteriotipando com cuidado, o resultado pode ser positivo. A produção ainda reforça a fé e a vontade que o homem nordestino tem para concretizar aquilo que almeja, diante de qualquer adversidade.
> Cine Holliúdy não deixa de ser também um registro histórico de uma fase que marcou toda uma geração de admiradores do cinema e que despertou o interesse de tantos outros na sétima arte, como foi o caso de Halder Gomes. E mesmo tendo se passado cerca de quatro décadas desde o período retratado no filme, o tema não deixa de ser contemporâneo, pois o cinema ainda não chega a todas as localidades do interior nordestino – que espera ansioso pelas projeções de cinemas transeuntes ou mambembes.
> Algumas edições na primeira metade do filme não são exatamente perfeitas, mas o espírito do filme fala mais do que qualquer falha que alguém busque e encontre. É uma daquelas comédias tão divertidas que nos intima a ver outra vez. Dá orgulho de ver como as produções cearenses estão ganhando respeito no cenário nacional e internacional. Viva o Cinema Paradiso cearense! Viva o cinema cearense! E viva a cultura popular!

Os Mercenários 2 (The Expendable 2)!

> Mr. Church (Bruce Willis) convoca todo os Mercenários  para uma tarefa que parecia ser fácil para os especialistas no assunto, porém, o grupo se depara com um homem frio e egocêntrico (Jean-Claude Van Damme) que impedirá a realização do planejado e acabará matando um membro da equipe. Os Mercenários então terão que unir forças com velhos aliados para combater o homem que desmembrou o time de assassinos profissionais.
> Para superar o que foi alcançado no primeiro filme de 2010, o segundo teria que ter um elenco maior, mais violência, mais explosões, mais clichês e menos roteiro – no sentido de originalidade. E é exatamente disso que Os Mercenários 2 é composto. Não que isso seja algo ruim para um filme de ação, é, na verdade, até uma surpresa, já que os envolvidos aqui não quiseram ter a audácia de fazer um filme sério. Ao contrário, celebra a facilidade e a simplicidade de se fazer uma ação com tais atores.
> Os Mercenários 2 é muito divertido, em vários aspectos. Primeiro porque a ação é mais intensa que no anterior, e, neste, o grupo está mais valorizado do que o individualismo – ou pelo menos isso é mostrado de maneira mais eficiente. E, segundo. porque não há compromissos com um realismo lógico, o que é essencial para o estilo de ação feito por esses atores. Explosões colossais, tiros certeiros em figurantes e falhos em protagonistas, piadas prontas (muitas terriveis e indescritivelmente boas) e outras sobre o peso e o passar da idade deles, visíveis em seus corpos e caras, além de outras referentes às suas questões pessoais – apelidos, bordões, etc -, são muito bem colocadas.
> Destaque para a participação ovacionada de Chuck Norris, o qual virou mito de uma geração, e que no filme faz jus a seus títulos, piadas e mentiras contadas fora do cinema – muito embora o próprio Stallone tenha um currículo de mortes mais vasto que o de Norris. O ator Van Damme também prova que ainda sabe dar bons chutes aéreos, e até mesmo Jet Li que aparece apenas no início do filme, tem boas sequências. Apenas o ex-lutador de MMA, Randy Couture, é que ficou sem nenhum momento notável de ação, mas a sua presença é ressaltada em boas piadas bobas.
> Àqueles que têm discernimento de gêneros cinematográficos e de seus objetivos, sabem que Os Mercenários 2 não é um filme feito para ganhar elogios da crítica ou prêmios, mas feito com dedicação total voltada para o público que durante décadas acompanha o trabalhos de muitos desse artistas e que há tempos não via alguns deles atuando dentro de suas características em uma telona.

Os Miseráveis (Les Miserábles)!

> Na França do século 19, o ex-prisioneiro Jean Valjean (Hugh Jackman) é perseguido há anos pelo implacável policial Javert (Russell Crowe), depois que ele violou sua liberdade condicional ao roubar os candelabros de prata da igreja. Anos depois, agora rico e com uma nova identidade, Valjean conhece Fantine (Anne Hathaway), uma de suas ex-funcionárias de sua fábrica, que implora a ele que cuide de sua filha Cosette (Isabelle Allen/Amanda Seyfried). O encontro entre os dois muda suas vidas para sempre.
> A peça musical Les Misérables é uma adaptação do romance de Victor Hugo e foi escrita originalmente em francês, em 1980, por Alain Boublil e Jean-Marc Natel com composição musical de Claude-Michel Schönberg. Assim que foi lançada, não faltaram críticas negativas para a produção. Foi apenas em 1985, quando ganhou a primeira adaptação para a Inglaterra com a ajuda de Herbert Kretzmer que a peça logo se tornou um sucesso de crítica e de bilheteria no mundo inteiro. 27 anos após a peça em inglês estrear, Tom Hooper teve a ideia e a ousadia de adaptar para o cinema uma obra que já foi traduzida para 21 línguas e que tem fãs em diferentes países. Os fãs que, como eu, vêm recebendo o filme com louvor. A crítica, no entanto, nem tanto.
> Simplesmente não entendo o motivo pelo qual boa parte da crítica internacional não considera a adaptação cinematográfica da peça Os Miseráveis nem, no mínimo, boa. Um dos mais frequentes motivos de reclamação entre os da contra corrente do musical, é justamente o fato do filme ter duração de cerca de 157 minutos e ser todo cantado. Ao que eles chamam de maçante, eu chamo de espetacular, pois esse fato só se tinha sido visto na adaptação de O Fantasma da Ópera (2004), de Joel Schumacher, e parcialmente na rock ópera cult Repo! The Genetic Opera(2008), de Darren Lynn Bousman. E no filme é notável o quanto isso extrai dos atores e o total envolvimento de todos na produção.
> No ano em que provavelmente Daniel Day-Lewis ganhará seu terceiro Oscar, eu não ficaria surpreso, ou decepcionado se Hugh Jackman tirasse dele o prêmio, pois apenas na cena de seu solilóquio na Igreja após ser salvo pelo Bispo (Colm Wilkinson – que foi Jean Valjean na primeira versão da peça inglesa) ele mostra mais talento do que todos seus filmes que fez na carreira até agora. Anne Hathaway está deslumbrante em sua personagem e o ápice da canção I dreamed a dream é de encher os olhos em todos os sentidos. Destaque também para Sacha Baron Cohen e Helena Boham Carter que trazem um alívio cômico no número Master of the house que funcionou de maneira excepcional visualmente falando; e para todos os outros coadjuvantes que fazem com que todas as cenas do filme sejam essenciais para seu final culminante e emocionante.
> É conhecido por todos que um musical no cinema requer toda uma parte técnica invejável e esse trabalho em Os Miseráveis é sutil e ao mesmo tempo gritante, como a maquiagem que envelhece Hugh Jackman por 20 anos e tira alguns dentes de Anne Hathaway. A fotografia e a direção de arte se mostram imponentes com a elaboração de prédios e ruas francesas que passam a ser personagens integrantes das cenas de guerra. Os Miseráveis tem uma comovente história de fé, bondade, conversão, amor e esperança e é simplesmente infalível. Tom Hooper foi corajoso e fez milagre ao criar o primeiro filme musical onde os atores cantam ao vivo nas gravações. Por isso, além de tudo, Os Miseráveis é um filme experimental. Concordo com o ator Zach Braff, que defendendo o filme disse em seu twitter: Se chorar 3 vezes em um musical é errado, eu não quero estar certo.
> Os Miseráveis elevo à categoria de uma obra-prima cinematográfica - acima de tudo os musicais. E tenho a convicção de que o tempo fará que que a obra de Hooper seja reconhecida e valorizada como tal.

Frankenstein: Entre Anjos e Demônios (I, Frankenstein)!

Frankenstein: Entre Anjos e Demônios é uma versão moderna do conto sobre a criatura do Dr. Frankenstein, que, séculos após seu nascimento, se encontra em uma cidade gótica em meio a uma guerra entre dois clãs imortais. O monstro de Frankenstein, agora com o nome de Adam, sobreviveu até os dias atuais. Tentando encontrar seu próprio caminho, ele acaba se envolvendo em uma guerra entre dois clãs em uma cidade ancestral chamada Darkhaven.
> Deve-se ter muito cuidado ao mexer com uma obra literária de cerca de 196 anos de existência e que influenciou gerações de leitores e escritores. Estou falando do Morderno Prometheus, uma obra que por si só já carrega muita mitologia implícita por si, e estou falando de Mary Shelley, uma das criadoras da ficção científica. Sou defensor ferrenho da liberdade que adaptações cinematográficas podem tomar para mudar ou adicionar conteúdo a uma obra, porém, os riscos do resultado sair positivos são maiores na medida em que menores forem as mudanças ou adições. E Frankenstein: Entre Anjos e Demônios é muito falho nesse sentido, o que resultou em grandes desconstruções. Essa crítica não é apenas ao filme, mas também à graphic novel que baseou a produção, porém como não li o material e como se tratam de meios semióticos diferentes, pode ser que a graphic novel seja um pouco melhor.
> Dá para perceber o quão raso é o filme, pois, de todo seu bagunçado enredo o que há de mais interessante e curioso são as partes que remetem à vida da criatura de Frankenstein – aqui chamada de Adam – antes do início do filme, ou seja, a história original. Os personagens aqui são tão mal construídos e  artificiais que até mesmo o protagonista, Adam, não consegue passar nenhuma de suas verdades que deveria: indecisão, dúvida e medo, ele parece apenas perdido em meio a tanta bobagem. É muita desconstrução para um só filme.
> Na obra original de Mary Shelley o dr. Frankenstein, em uma tentativa de não humanizar sua criação, chama o seu trabalho de nomes como criatura e monstro, os quais transmitem o quão bizarro havia ficado seu homem feito de retalhos humanos. No filme, temos apenas o ator Aaron Eckhart no seu melhor porte físico – que inclusive fica sem camisa para mostrar seu corpo em forma – com algumas cicatrizes, enquanto originalmente a criatura tem dificuldade de locomoção por suas partes desproporcionais. Aqui, Frankenstein é ágil como um ninja profissional e deveras hábil com as armas brancas. Se parasse por aí teríamos algo dolorosamente aceitável, mas o filme vai além.
> Ao adicionar as distorções mitológicas de gárgulas e demônios em meio à história da criatura, o filme resulta num engodo de tramas repetitivas e de narrativas tão cansadas que nada surge de relevante ou mesmo interessantes. O roteiro ainda tenta engatar algumas referências como o icônico grito It’s alive! do clássico Frankenstein (1931), de James Whale, ou o nome que a criatura recebe de Adam – tradução em inglês para Adão – que pode ter passado despercebido por alguns devido a escolha da equipe de legendagem de manter a versão inglesa do nome.
> Embora os efeitos, nitidamente de segunda mão, não sejam tão ruins como poderiam ser, a maquiagem e a construção de cenários são vergonhosas e até risíveis. Mudanças radicais e nomeações de versão moderna nem sempre são seguidas de coisas boas, e transformar um dos monstros – apesar de seus motivos e desfecho, é um monstro – mais conhecidos da literatura mundial em um herói malhado que finaliza a sua aventura prometendo sempre estar atento para ajudar os anjos a defenderem a humanidade de demônios – uma pretensa deixa para uma continuação, a qual dificilmente virá.

Alabama Moroe (The Broken Circle Breakdown)!

> Apesar das diferenças, Elise e Didier formam um casal apaixonado. Ela é dona de uma loja de tatuagem, tem uma cruz tatuada no pescoço e mantém os dois pés firmes no chão. Ele toca banjo em uma banda e é, ao mesmo tempo, um ateu convicto e um romântico incorrigível. A felicidade do casal parece completa com a chegada da filha, Maybelle. Mas, aos 6 anos de idade, a menina adoece gravemente e o casal enfrenta sua primeira crise.
> Alabama Monroe é um filme que consegue tocar em diferentes temas da sensibilidade humana sem destoar de sua unidade narratica. E isso só é possível pela sua montagem fragmentada, a qual dá ao filme uma estrutura de camadas que, por sua vez, separadamente apresentam abordagens distintas, mas que como partes de um todo se tornam aprofundamentos simultâneos de tudo que está sendo transmitido. Porém, ainda assim, é um filme onde a dramatização do enredo é crescente, e se finda com uma sequência que mistura todo o amor, ódio, fé, esperança e compaixão que se vê em seu decorrer.
> O cinema do mundo inteiro vem apresentado roteiros não lineares. É uma recorrência, aplicada à tentar dar um fôlego a mais às histórias que nem sempre é interessante o suficiente para ser filmada. Porém, Alabama Monroe é um dos casos nos quais a não linearidade da história é necessária para a construção dos personagens, e consequentemente para o entendimento de suas ações.
> se conhecerem Didier apresenta a Elise a maior paixão de sua vida: a música country, de raiz dos EUA. E ao se envolver com ele, ela acaba se envolvendo com o ritmo musical que está intrinsecamente ligado ao estilo de vida bucólico do músico  – e passa a integrar o grupo no qual ele toca. Didier vive em uma fazenda calma onde cria animais, e, embora tenha uma grande casa em seu terreno, reside despreocupadamente em um trailer. As letras honestas e orgânicas docountry de grandes artistas como Johnny Cash, Loretta Lynn e Alisson Krauss são representadas pela banda do casal, Bluegrass Band, em diferentes situações, conseguindo transpor em melodias deveras agradáveis o que precisamente cada cena quer expressar – algo parecido com o que se viu em A Última Noite (2006), último filme do saudoso Robert Altman (1925-2006).
> Culpar Deus e a religião, seja ela qual for, por problemas que uma pessoa que se julga autossuficiente não consegue resolver, é uma atitude que é facilmente vista por aqueles que não se apegam a uma religião por medo de sentir aquilo que conseguem compreender plenamente – ou, simplesmente,por um cego egocentrismo. Ao abordar duas perspectivas diferentes da fé – do casal e relação ao sofrimento de sua filha causado pelo câncer e seu tratamento –, Van Groeningen acaba por concluir que é próprio do instinto humano o desejo de crer em algo maior, ao mesmo tempo em que possa ser, inicialmente, inaceitável.
> Com falas simples, mas que evitam questionamentos existenciais desnecessários e rasos, o longa mostra como a consciência da efemeridade da vida pode trazer uma nova perspectiva às nossas vidas e como as paixões intensas e momentâneas das relações humanas devem ser guiadas pelo ser humano – e não o inverso. Alabama Monroe concorre ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro (Bélgica).

O Lobo de Wall Street (The Wolf of Wall Street)!

> Adaptação do livro homônimo de memórias de Jordan Belfort. Belfort, ele mesmo um corrupto corretor de títulos da bolsa norte-americana que enganava promissores e pequenos acionistas, entrou em decadência nos anos 90. A sua história envolve o uso de drogas e crimes do colarinho branco.
> Scorsese volta sua zona de conforto: filmes com homens corruptos e decadentes, excesso de palavrões e bastante ironia, e, ainda assim, com uma agilidade com a qual nunca trabalhara antes. O resultado é algo novo. Penso, na verdade, que não exista nenhum outro cineasta da atualidade que consiga filmar tão bem a ruína moral quanto ele. Afinal, Scorsese é um homem obcecado, e encontrou um ator como nenhum outro que já fez tantos personagens assim, do jeito que ele queria, como Leonardo DiCaprio – o último tinha sido o recente O Grande Gatsby (2013).  E o bom de DiCaprio é que ele sempre consegue distinguir as diferentes abordagens de seus decadentes personagens, refazendo-os ao gosto de Scorsese sempre em papéis notáveis. Oportunista como um formador profissional de coaching e comicamente desagradável, DiCapiro consegue se entranhar na vida e em sua essência materialista. Não só ele está impagável no filme, mas também todos os inúmeros coadjuvantes com os quais contracena. E entre eles, os principais os destaques ficam com Jonah Hill, Matthew McConaughey, Kyle Chandler e a estonteante Margot Robbie.
> O Lobo de Wall Street mostra o quão baixo o homem capitalista pode ser na busca egocêntrica por ascensão, dinheiro e poder. E aí estão dois dos pontos que mais vem sendo criticado no filme: a maneira engraçada com que são tratadas as fraudes às pessoas esperançosas que buscaram em investimentos uma melhor condição de vida; e a abordagem heroica que o desprezível protagonista recebe. A facilidade trazida pelo roubo acarreta numa facilidade: a de acesso a todo tipo degradante de vício, retratada sem pudor, como o excesso de bebidas, de sexo e o doentio uso de drogas – de Belfort e dos seus comparsas de crime. E para esses homens, a liberdade que tinham não era suficiente: para fazer o que faziam sem serem repreendidos – inicialmente – transformou seus locais de trabalho em um verdadeiro circo de seus prazeres, onde orgias e uso de drogas se confundiam com os seus negócios.
> Este filme é um daqueles em que o enredo é tão absurdo, que pode parecer exagero do diretor Martin Scorsese em reconstituí-lo,, mas os investigadores do FBI que conseguiram parar com as ações criminosas de Belfort confirmaram, através das pessoas que se envolviam com ele. Quase todos os inacreditáveis relatos que, mais tarde, o fraudador viria a escrever em seu livro e, agora, aparecem no filme (nunca houve a confirmação da presença de animais nos escritórios ou o “arremesso” de anões, que sempre foram respeitados quando iam ao lugar de trabalho) integram uma realidade.
> Muitas são as análises sociológicas e filosóficas que O Lobo de Wall Street pode render com as suas ironias e o pesado humor negro. A responsabilidade e a coragem de fazer um filme que mexe no que há de mais podre na economia dos EUA, e ainda tratar tudo como uma grande piada, fazem do longa uma produção notável. É um filme que conta com todos os elementos apelativos para ser deplorável, mas quando se vê sua real intenção crítica de Scorsese, entende-se o porquê do filme ter sido feito. Sobre a parte técnica, o que deixa a desejar é apenas a edição de cenas que conta com uma montagem picotada. No mais, um dos filmes mais notáveis das últimas décadas.

Álbum de Família (August: Osage County)!

> Barbara (Julia Roberts), Ivy (Julianne Nicholson) e Karen (Juliette Lewis) são três irmãs que são obrigadas a voltar para casa e cuidar da mãe viciada em medicamentos e com câncer (Meryl Streep), após o desaparecimento do pai delas (Sam Shepard). O encontro provoca diversos conflitos e mostra que nenhum segredo estará protegido. Enquanto tenta lidar com a mãe, Barbara ainda terá que conviver com os problemas pessoais, as difíceis relações com o ex-marido (Ewan McGregor) e com a filha adolescente (Abigail Breslin).
> Um filme que conta com os nomes de Meryl Streep, Julia Roberts, Chris Cooper, e um dos mais recentes queridinhos de Hollywood, Benedict Cumberbatch, merece ser visto não apenas pelo elenco ou fato de ser a adaptação de uma famosa peça teatral. Caracteriza como um  dramédia,Álbum de Família tem uma das melhores direções de elenco do ano. Geralmente, filmes com tantos nomes de peso no elenco acabam sendo uma cansada disputa de egos, porém, isso não ocorre aqui, pois cada tem a oportunidade de explorar o seu personagem em igualdade. Para isso, o impecável roteiro de Tracy Letts colabora. Streep, a mais completa atriz atualmente em atividade, faz valer cada segundo das cenas em que aparece e mostra porque deverá receber a sua 18ª indicação ao Oscar. Ela tem o controle e o domínio de todas as suas cenas e, de forma natural, ela consegue simplesmente criar um novo personagem sem deixar rastros dos outros por ela já interpretados. Julia Roberts e Margo Martindale também trazem fortes atuações.
> O filme é baseado na peça homônima August: Osage County, vencedora do Pulitzer de Teatro, do próprio Tracy Letts, e tem um dos roteiro de construção dramática difícil, uma vez que aborda problemas familiares sem tocar no melodrama, o que é quase impossível em se tratando de Hollywood. Porém, méritos para o diretor John Wells, que sabe manusear as situações mais efervescentes ao ponto de deixar o espectador como um participante dos confrontos – e não apenas como um observador distante dos dramas e dos personagens.
> Tracy Letts, um dos maiores dramaturgos dos EUA da atualidade, está vendo os seus premiados roteiros saindo do teatro e ganhando adaptações cinematográficas, como Killer Joe – Matador de Aluguel (2011) que estreou nos cinemas brasileiros no primeiro semestre de 2013. O segredo para o sucesso das peças de Letts está na no realismo com que ele aborda o white trash – termo usado para classificar americanos de classe média baixa e de pouca instrução educacional e social, em tradução livre: lixo branco – e/ou as relações familiares. Letts é comparado ao brasileiro Nelson Rodrigues por alguns críticos que relacionam a dureza com que ambos mostram a natureza humana. É grande ponto de maior aproximação entre os escritores, e até creio que a escolha de título nacional, Álbum de Família, não tenha sido à toa (muito embora o Álbum de Família de Nelson Rodrigues seja essencialmente bem mais problemático).
> Álbum de Família pode não ser o melhor filme de 2013, uma vez que a edição de cenas na primeira metade é um pouco relaxada, porém, a sua dramaticidade, desenvolvido em um roteiro exemplar, faz o espectador refletir sobre a família. Por isso não pode deixar de ser destacado entre os mais aguçados dramas do ano.

O Hobbit: A Desolação de Smaug (The Hobbit: The Desolation of Smaug)!

> Após sobreviver ao início de sua jornada inesperada, o grupo continua em direção ao Leste, encontrando no caminho o metamorfo Beorn e aranhas gigantes da traiçoeira Floresta das Trevas. Após escapar do cativeiro dos perigosos Elfos da Floresta, os anões viajam para Esgaroth, a Cidade do Lago, e finalmente chegam à Montanha Solitária, onde precisam enfrentar o maior perigo de todos – uma criatura mais aterrorizante que qualquer outra, uma que testará não apenas o nível da coragem dos aventureiros, mas também os limites de sua amizade e a sabedoria da própria jornada – o dragão Smaug.
> Fico feliz em dizer que O Hobbit: a Desolação de Smaug é melhor em tudo em comparação com o primeiro filme. Na metade do filme compreendemos a necessidade de muitos dos enxertos feitos em Uma Aventura Inesperada – uma vez que quiseram transformar em três filmes, de cerca de duas horas cada um, um livro relativamente curto – mas que comprometeram o andamento do primeiro capítulo. O ponto mais positivo de A Desolação de Smaug está mesmo no roteiro. Agora sim vemos – falando como quem leu o livro – a história tomar um destino. Apenas em 40 minutos de filme temos a impressão de que vimos a história “andar” mais do que em todo o primeiro filme.
> O livro O Hobbit fora escrito originalmente para ser voltado ao público infantil, uma fábula à lá Tolkien, e esse espírito de fábula está em cada segundo do filme, no humor, mais sutil, e na ação que marca toda a segunda parte da trilogia. Sem tirar o tom original do livro, Peter Jackson adicionou sua identidade ao filme ao tornar mais épicas e detalhadamente construídas algumas cenas que no livro são simples e rápidas. No segundo filme todas as adições de tramas e personagens só agregam valor ao ritmo constante da produção. Entre as edições louváveis está a elfa Tauriel vivida pela bela e talentosa Evangeline Lilly (a eterna Kate do seriado Lost). Quanto a técnica, Peter Jackson se mostra mais uma vez bem caprichoso nas criações de cenários, efeitos e todo tipo de argumento visual que ajuda a remontar a Terra Média de Tolkien no cinema. É o excesso de confiança que traz mais energia aos filmes do diretor, ele não poupa recursos para que o público possa imergir cada vez naquilo que está vendo.
> A Desolação de Smaug é uma aventura tipo família que o cinema ainda não tinha visto em 2013, onde existe comprometimento por parte da produção e não requer uma profusão de questionamentos rasos e desnecessários, ou então uma surra de efeitos visuais apenas para somar alguns minutos. O receio que se tinha há um ano de que transformar dois filmes em uma trilogia poderia prejudicar a construção de O Hobbit se perde com o surgimento do dragão Smaug com sua forte personalidade e estética que o torna impossivelmente real. O filme se encerra em grande estilo abrindo espaço para uma conclusão que tem tudo para ser colossal – assim os fãs esperam.

Capitão Phillips (Captain Phillips)!

> Capitão Phillips é um exame em múltiplas camadas do sequestro do cargueiro norte-americano Maersk Alabama, em 2009, por um grupo de piratas somalis. Sob a direção característica do diretor Paul Greengrass, o filme é, simultaneamente, um thriller em ritmo pulsante e um retrato completo dos múltiplos efeitos da globalização. O enredo se concentra na relação entre o comandante do Alabama, o capitão Richard Phillips (o ganhador de dois Oscar, Tom Hanks), e o capitão pirata somali, Muse (Barkhad Abdi) que o toma como refém. Os dois entram em uma inevitável rota de colisão quando Muse e sua tripulação decidem colocar em sua mira o navio desarmado comandado por Phillips. E no impasse que se segue, ao longo de 145 milhas da costa da Somália, os dois irão encontrar-se à mercê de forças que vão além de seus controles.
> De início, talvez, as primeiras cenas de Capitão Phillips podem fazer com que o espectador pense que será apenas mais um thriller daqueles muitos que o cinema hollywoodiano produz, com uma rápida introdução, muita ação desnecessária e um desfecho curto e desinteressante. Porém, é com o passar dos primeiros 30 minutos que se percebe que os melhores momentos estão ainda à frente, e isso se segue até o ápice que é a emocionante sequência final. Falo sempre que valorizo produções baseadas em fatos e reais, e ainda mais quando os enredos são simples, porém, intensos, como é o caso de 127 Horas, onde todos os julgadores profissionais duvidam do potencial de um filme onde se tem apenas um homem preso em uma fenda por uma hora e meia. Penso na simplicidade do enredo como um desafio maior a ser trabalhado, e Capitão Phillips se apega a isso com muita intensidade, o fato de ser apenas um navio americano sequestrado surpreende com a desenvoltura dos fatos e como eles se desenvolvem.
> Phillips ganha créditos ,também, pela tentativa de se manter fiel à ordem dos fatos e de não cortar nenhuma cena para deixá-lo com uma duração mais comercial. São duas horas bem distribuídas em cenas de thriller e de drama, conduzidas com maestria pelo experiente Tom Hanks, que vai dando força e personalidade ao seu capitão Phillips a cada nova cena. Não me surpreenderia vê-lo sendo indicado mais uma vez ao Oscar – na verdade até torço para que isso aconteça.
> Corajoso, bem desenvolvido e com um roteiro incrivelmente bem executado, Capitão Phillips é duro ao mostrar a realidade dos piratas somalis de uma maneira crua e emocionante ao mostrar o humanismo presente em toda personagem, independente do papel que assume em uma situação descrita como a do filme. Apesar da longa duração, não há sequer uma cena desnecessária. Pelo contrário, temos vontade de ver o rumo que cada personagem levou mesmo após o ecrã ficar escuro.

Thor: O Mundo Sombrio (Thor: The Dark World)!

> Thor: o Mundo Sombrio da Marvel dá seguimento às aventuras no cinema de Thor (Chris Hemsworth), o poderoso vingador, enquanto ele luta para salvar a Terra e os Nove Reinos de um inimigo sombrio que destrói o próprio universo. Na sequência de acontecimentos de Thor (2011) e de Os Vingadores – The Avengers (2012) da Marvel, Thor luta para restaurar a ordem no cosmo… mas uma antiga raça liderada pelo vingativo Malekith (Christopher Eccleston)  retorna para levar o universo de volta às trevas. Enfrentando um inimigo que até mesmo Odin (Anthony Hopkins) e Asgard não são capazes de derrotar, Thor precisa embarcar em sua jornada mais perigosa e pessoal, que o reunirá com Jane Foster (Natalie Portman) e o forçará a sacrificar tudo para nos salvar.
> Os primeiros filmes de Thor e Capitão Américo tiveram a difícil missão de apresentar ao cinema dois dos mais famosos heróis Marvel no contexto de que o filme de Os Vingadores já estava confirmado e esperando apenas o lançamento desses para ser iniciado. Os dois tiveram rápidas produções e os resultados foram surpreendentemente agradáveis. Porém, visto que Thor (2011) fora oficializado, iniciado, filmado e lançado antes que Capitão América: O Primeiro Vingador(2011) e que o filme do herói asgardiano seria o pontapé inicial para o desenvolvimento do roteiro de Os Vingadores – The Avengers, a produção deixou de lado aspectos importantes do personagem Thor e de seu universo.
> Porém Thor: o Mundo Sombrio trouxe esse reconhecimento que o herói merecia ao ter a maior parte de seus acontecimentos desenvolvidos em Asgard e seus reinos próximos. O filme dá total ênfase nas relações familiares do herói e explora os lugares, fisica e semanticamente, que compõem os nove reinos de Asgard, deixando para a Terra, e para o romance, apenas cenas secundárias, mas não tão menos importantes. Mais uma vez o carismático e talentoso elenco merece destaque por conseguir trazer humor e drama sem overactings. Tom Hiddleston, de novo, rouba grande parte das cenas em que aparece.
> Thor: o Mundo Sombrio só peca onde cem por cento dos filmes de heróis pecam: nas frases prontas e casualidades. Porém endosso a ideia de que, como adaptações de um gênero que originalmente era formado tanto pelos bordões como pelas casualidades inexplicavelmente oportunas, os filmes de heróis de quadrinhos necessitam dessas falhas, muitas vezes escondidas, outras vergonhosamente expostas, para manter sua identidade. Os efeitos são sutis e grandiosos nas horas certas e o final deixa o público instigado para o que os estúdios Marvel tem em mente para o futuro de seus heróis.
> Apesar das publicidades (uma questão de bilheterias e popularidade) terem dado mais destaque ao personagem do Homem de Ferro em Os Vingadores, Thor poderia facilmente ser eleito o protagonista se assim fosse necessário, apenas pelo fato de ter sido o responsável por transportar ao cinema toda mitologia espacial da Marvel que guiou Os Vingadores – the Avengers e guiará a Fase 2 em diante. E apesar de muito barulho no cinema e lucro aos envolvidos, Homem de Ferro 3 desagradou a uma maioria quase absoluta de fãs e não movimentou a Fase 2 em nada; diferente de Thor: o Mundo Sombrio que, assim como o primeiro filme na Fase 1, fez a história seguir e abriu as portas para o aguardado Os Guardiões da Galáxia (2014).