5 de abril de 2014

A Menina que Roubava Livros (The Book Thief)!

> Baseado no livro best-seller homônimo, A Menina Que Roubava Livros conta a história de Liesel, uma garotinha extraordinária e corajosa, que vai viver com uma família adotiva durante a Segunda Guerra, na Alemanha. Ela aprende a ler, encorajada por sua nova família, e Max, um refugiado judeu, que é escondido embaixo no porão. Para Liesel e Max, o poder das palavras e da imaginação se tornam a única escapatória do caos que está acontecendo em volta deles. A Menina Que Roubava Livros é uma história sobre a capacidade de sobrevivência e resistência do espírito humano.
> Sempre que um filme aborda um tema delicado como a Segunda Guerra baseado na perspectiva infantil deve-se ter cuidado para que o resultado não seja demasiadamente velado, e acabe tornando superficiais as consequências da guerra por ter focado na vida de uma criança. A Menina que Roubava Livros consegue passar por cima disso, primeiramente, pela inteligência de seu roteiro. Aqueles que leram o livro no qual o filme se baseia sabe que a menina Liesel sofre com ações diretas ou indiretas da guerra em muitas partes do livro, o que deixa a história mais emocionante e real. Assim como no pequeno e memorável O Menino do Pijama Listrado (2008), de Mark Herman, o protagonismo infantil não diminui a intensidade da destruição da guerra no filme.
> Porém, apesar de sensível, o filme conta com um roteiro apressado e que, por isso, creio, não só aqueles que leram o livro se agradariam ainda fosse mais longo. O fato é que, apesar de suas duas horas de duração, A Menina que Roubava Livros não consegue apresentar e desenvolver os seus personagens da maneira que é vista no livro. Gosto sempre de frisar que, por mais que se reclame de adaptações cinematográficas, elas nunca serão tão parecidas, quanto se deseja,  com a obra original nas quais se baseiam. Primeiro porque é a leitura de um roteirista, um diretor – algumas vezes até de um estúdio – sobre aquela história; e, segundo, que são recursos semióticos diferentes, aqui no caso, um joga com as palavras e não requer um tempo determinado, e o outro joga com imagem e som e tem uma duração a se determinar.
> Mas, se percebe quando muito do que é essencial em um livro não aparece no filme. No romance do australiano Markus Zusak temos um amadurecimento mais perceptível da protagonista Liesel ao vermos a sua áspera relação com a nova mãe, Rosa, no início de sua vida com a família Hubermann, diálogos mais constantes com o menino Rudy, noites e noites de leitura com o seu pai por adoção, Hans, no porão, o seu envolvimento com as crianças de sua rua – onde são apresentados mais personagens infantis –, e uma relação maior de correspondência entre Liesel e Ilsa Hermann, a mulher do prefeito, nada disso é tão presente no filme quanto no livro. Creio que dois personagens mereciam um destaque bem maior no longa do que mereceram. São eles: a citada mulher do prefeito, Ilsa – que no livro fala sobre sua vida, da perda de seu filho e de sua paixão pelos livros –, o que deixa ainda mais claro o seu interesse por Liesel. O outro é o narrador/observador – a morte -, que guia toda a trama, e no livro torna todo o desfecho mais interessante ao usar sinestesias que tornam as suas falas nos momentos mais memoráveis do romance.
> Os jovens atores são bem competentes e conseguem segurar as suas cenas ao lado de nomes como Geoffrey Rush (Hans) e Emily Watson (Ilsa). Outro ponto de destaque é a forte trilha sonora de John Williams, responsável por dramatizar e aliviar as cenas necessárias com sua composição. Assim, A Menina que Roubava Livros é um filme que não desagrada, mas que também não satisfaz completamente ao público mais crítico – que é àquele que leu o livro. Contudo, se as suas duas horas de duração não foram suficientes para abarcar grande parte do todo conteudístico do romance, me pergunto se um filme mais longo conseguiria tratar de tudo, porém, sem se tornar maçante e cansativo. E isso me fez gostar e aceitar um pouco mais o filme de Brian Percival.

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