5 de abril de 2014

Alabama Moroe (The Broken Circle Breakdown)!

> Apesar das diferenças, Elise e Didier formam um casal apaixonado. Ela é dona de uma loja de tatuagem, tem uma cruz tatuada no pescoço e mantém os dois pés firmes no chão. Ele toca banjo em uma banda e é, ao mesmo tempo, um ateu convicto e um romântico incorrigível. A felicidade do casal parece completa com a chegada da filha, Maybelle. Mas, aos 6 anos de idade, a menina adoece gravemente e o casal enfrenta sua primeira crise.
> Alabama Monroe é um filme que consegue tocar em diferentes temas da sensibilidade humana sem destoar de sua unidade narratica. E isso só é possível pela sua montagem fragmentada, a qual dá ao filme uma estrutura de camadas que, por sua vez, separadamente apresentam abordagens distintas, mas que como partes de um todo se tornam aprofundamentos simultâneos de tudo que está sendo transmitido. Porém, ainda assim, é um filme onde a dramatização do enredo é crescente, e se finda com uma sequência que mistura todo o amor, ódio, fé, esperança e compaixão que se vê em seu decorrer.
> O cinema do mundo inteiro vem apresentado roteiros não lineares. É uma recorrência, aplicada à tentar dar um fôlego a mais às histórias que nem sempre é interessante o suficiente para ser filmada. Porém, Alabama Monroe é um dos casos nos quais a não linearidade da história é necessária para a construção dos personagens, e consequentemente para o entendimento de suas ações.
> se conhecerem Didier apresenta a Elise a maior paixão de sua vida: a música country, de raiz dos EUA. E ao se envolver com ele, ela acaba se envolvendo com o ritmo musical que está intrinsecamente ligado ao estilo de vida bucólico do músico  – e passa a integrar o grupo no qual ele toca. Didier vive em uma fazenda calma onde cria animais, e, embora tenha uma grande casa em seu terreno, reside despreocupadamente em um trailer. As letras honestas e orgânicas docountry de grandes artistas como Johnny Cash, Loretta Lynn e Alisson Krauss são representadas pela banda do casal, Bluegrass Band, em diferentes situações, conseguindo transpor em melodias deveras agradáveis o que precisamente cada cena quer expressar – algo parecido com o que se viu em A Última Noite (2006), último filme do saudoso Robert Altman (1925-2006).
> Culpar Deus e a religião, seja ela qual for, por problemas que uma pessoa que se julga autossuficiente não consegue resolver, é uma atitude que é facilmente vista por aqueles que não se apegam a uma religião por medo de sentir aquilo que conseguem compreender plenamente – ou, simplesmente,por um cego egocentrismo. Ao abordar duas perspectivas diferentes da fé – do casal e relação ao sofrimento de sua filha causado pelo câncer e seu tratamento –, Van Groeningen acaba por concluir que é próprio do instinto humano o desejo de crer em algo maior, ao mesmo tempo em que possa ser, inicialmente, inaceitável.
> Com falas simples, mas que evitam questionamentos existenciais desnecessários e rasos, o longa mostra como a consciência da efemeridade da vida pode trazer uma nova perspectiva às nossas vidas e como as paixões intensas e momentâneas das relações humanas devem ser guiadas pelo ser humano – e não o inverso. Alabama Monroe concorre ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro (Bélgica).

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