5 de abril de 2014

Capitão Phillips (Captain Phillips)!

> Capitão Phillips é um exame em múltiplas camadas do sequestro do cargueiro norte-americano Maersk Alabama, em 2009, por um grupo de piratas somalis. Sob a direção característica do diretor Paul Greengrass, o filme é, simultaneamente, um thriller em ritmo pulsante e um retrato completo dos múltiplos efeitos da globalização. O enredo se concentra na relação entre o comandante do Alabama, o capitão Richard Phillips (o ganhador de dois Oscar, Tom Hanks), e o capitão pirata somali, Muse (Barkhad Abdi) que o toma como refém. Os dois entram em uma inevitável rota de colisão quando Muse e sua tripulação decidem colocar em sua mira o navio desarmado comandado por Phillips. E no impasse que se segue, ao longo de 145 milhas da costa da Somália, os dois irão encontrar-se à mercê de forças que vão além de seus controles.
> De início, talvez, as primeiras cenas de Capitão Phillips podem fazer com que o espectador pense que será apenas mais um thriller daqueles muitos que o cinema hollywoodiano produz, com uma rápida introdução, muita ação desnecessária e um desfecho curto e desinteressante. Porém, é com o passar dos primeiros 30 minutos que se percebe que os melhores momentos estão ainda à frente, e isso se segue até o ápice que é a emocionante sequência final. Falo sempre que valorizo produções baseadas em fatos e reais, e ainda mais quando os enredos são simples, porém, intensos, como é o caso de 127 Horas, onde todos os julgadores profissionais duvidam do potencial de um filme onde se tem apenas um homem preso em uma fenda por uma hora e meia. Penso na simplicidade do enredo como um desafio maior a ser trabalhado, e Capitão Phillips se apega a isso com muita intensidade, o fato de ser apenas um navio americano sequestrado surpreende com a desenvoltura dos fatos e como eles se desenvolvem.
> Phillips ganha créditos ,também, pela tentativa de se manter fiel à ordem dos fatos e de não cortar nenhuma cena para deixá-lo com uma duração mais comercial. São duas horas bem distribuídas em cenas de thriller e de drama, conduzidas com maestria pelo experiente Tom Hanks, que vai dando força e personalidade ao seu capitão Phillips a cada nova cena. Não me surpreenderia vê-lo sendo indicado mais uma vez ao Oscar – na verdade até torço para que isso aconteça.
> Corajoso, bem desenvolvido e com um roteiro incrivelmente bem executado, Capitão Phillips é duro ao mostrar a realidade dos piratas somalis de uma maneira crua e emocionante ao mostrar o humanismo presente em toda personagem, independente do papel que assume em uma situação descrita como a do filme. Apesar da longa duração, não há sequer uma cena desnecessária. Pelo contrário, temos vontade de ver o rumo que cada personagem levou mesmo após o ecrã ficar escuro.

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