5 de abril de 2014

Cine Holliúdy!

> A chegada em massa da televisão no interior do Ceará, na década de 1970, colocou em risco as salas de cinema da região. Mas um herói, chamado Francisgleydisson, resolveu lutar contra o domínio televisivo. Suas armas: criatividade e muito bom-humor.
> Não sou de criticar o cinema brasileiro como um todo, pelo contrário, defendo a todo custo os filmes nacionais regionalistas, principalmente quando a abordagem temática é o Nordeste. E Cine Holliúdy vem comprovar que o melhor do Brasil é, de fato, o regional e o popular. Infelizmente o nosso cinema ainda peca bastante no gênero comédia em termos de qualidade, mas já há produções tanto engraçadas quanto memoráveis – geralmente aquelas produzidas pela Globo Filmes. Mas, a Terra do Humor dá a sua contribuição com Cine Holliudy. E se tem tem cearense dirigindo, roteirizando uma história com os elementos de sua terra e com os seus comediantes atuando, não existe a possibilidade de não termos um filme refrescante para o gênero ô xente! A critério de informação, o longa de Halder Gomes é baseado no seu curta Cine Holiúdy – o Astista Contra o Caba do Mal (2004), detentor de mais de 40 prêmios.
> Dentre os vários motivos que levam o espectador ao cinema para ver a comédia, o linguajarcearensês é sem dúvidas o que mais o atrai. Tanto é que está com legendas para que os não cearenses ou ‘não-tão-cearenses’ possam entender melhor algumas peculiaridades das falas que recheiam o filme de bons momentos. E o humor em Cine Holliúdy é inteiramente solto e funcional ao apresentar os seus personagens interioranos, alguns estereotipados, acompanhadas de algumas alfinetadas da política à religião. É a prova de que esteriotipando com cuidado, o resultado pode ser positivo. A produção ainda reforça a fé e a vontade que o homem nordestino tem para concretizar aquilo que almeja, diante de qualquer adversidade.
> Cine Holliúdy não deixa de ser também um registro histórico de uma fase que marcou toda uma geração de admiradores do cinema e que despertou o interesse de tantos outros na sétima arte, como foi o caso de Halder Gomes. E mesmo tendo se passado cerca de quatro décadas desde o período retratado no filme, o tema não deixa de ser contemporâneo, pois o cinema ainda não chega a todas as localidades do interior nordestino – que espera ansioso pelas projeções de cinemas transeuntes ou mambembes.
> Algumas edições na primeira metade do filme não são exatamente perfeitas, mas o espírito do filme fala mais do que qualquer falha que alguém busque e encontre. É uma daquelas comédias tão divertidas que nos intima a ver outra vez. Dá orgulho de ver como as produções cearenses estão ganhando respeito no cenário nacional e internacional. Viva o Cinema Paradiso cearense! Viva o cinema cearense! E viva a cultura popular!

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