5 de abril de 2014

Frankenstein: Entre Anjos e Demônios (I, Frankenstein)!

Frankenstein: Entre Anjos e Demônios é uma versão moderna do conto sobre a criatura do Dr. Frankenstein, que, séculos após seu nascimento, se encontra em uma cidade gótica em meio a uma guerra entre dois clãs imortais. O monstro de Frankenstein, agora com o nome de Adam, sobreviveu até os dias atuais. Tentando encontrar seu próprio caminho, ele acaba se envolvendo em uma guerra entre dois clãs em uma cidade ancestral chamada Darkhaven.
> Deve-se ter muito cuidado ao mexer com uma obra literária de cerca de 196 anos de existência e que influenciou gerações de leitores e escritores. Estou falando do Morderno Prometheus, uma obra que por si só já carrega muita mitologia implícita por si, e estou falando de Mary Shelley, uma das criadoras da ficção científica. Sou defensor ferrenho da liberdade que adaptações cinematográficas podem tomar para mudar ou adicionar conteúdo a uma obra, porém, os riscos do resultado sair positivos são maiores na medida em que menores forem as mudanças ou adições. E Frankenstein: Entre Anjos e Demônios é muito falho nesse sentido, o que resultou em grandes desconstruções. Essa crítica não é apenas ao filme, mas também à graphic novel que baseou a produção, porém como não li o material e como se tratam de meios semióticos diferentes, pode ser que a graphic novel seja um pouco melhor.
> Dá para perceber o quão raso é o filme, pois, de todo seu bagunçado enredo o que há de mais interessante e curioso são as partes que remetem à vida da criatura de Frankenstein – aqui chamada de Adam – antes do início do filme, ou seja, a história original. Os personagens aqui são tão mal construídos e  artificiais que até mesmo o protagonista, Adam, não consegue passar nenhuma de suas verdades que deveria: indecisão, dúvida e medo, ele parece apenas perdido em meio a tanta bobagem. É muita desconstrução para um só filme.
> Na obra original de Mary Shelley o dr. Frankenstein, em uma tentativa de não humanizar sua criação, chama o seu trabalho de nomes como criatura e monstro, os quais transmitem o quão bizarro havia ficado seu homem feito de retalhos humanos. No filme, temos apenas o ator Aaron Eckhart no seu melhor porte físico – que inclusive fica sem camisa para mostrar seu corpo em forma – com algumas cicatrizes, enquanto originalmente a criatura tem dificuldade de locomoção por suas partes desproporcionais. Aqui, Frankenstein é ágil como um ninja profissional e deveras hábil com as armas brancas. Se parasse por aí teríamos algo dolorosamente aceitável, mas o filme vai além.
> Ao adicionar as distorções mitológicas de gárgulas e demônios em meio à história da criatura, o filme resulta num engodo de tramas repetitivas e de narrativas tão cansadas que nada surge de relevante ou mesmo interessantes. O roteiro ainda tenta engatar algumas referências como o icônico grito It’s alive! do clássico Frankenstein (1931), de James Whale, ou o nome que a criatura recebe de Adam – tradução em inglês para Adão – que pode ter passado despercebido por alguns devido a escolha da equipe de legendagem de manter a versão inglesa do nome.
> Embora os efeitos, nitidamente de segunda mão, não sejam tão ruins como poderiam ser, a maquiagem e a construção de cenários são vergonhosas e até risíveis. Mudanças radicais e nomeações de versão moderna nem sempre são seguidas de coisas boas, e transformar um dos monstros – apesar de seus motivos e desfecho, é um monstro – mais conhecidos da literatura mundial em um herói malhado que finaliza a sua aventura prometendo sempre estar atento para ajudar os anjos a defenderem a humanidade de demônios – uma pretensa deixa para uma continuação, a qual dificilmente virá.

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