4 de abril de 2014

Gravidade (Gravity)!

> Matt Kowalski (George Clooney) é um astronauta experiente que está em missão de conserto ao telescópio Hubble juntamente com a doutora Ryan Stone (Sandra Bullock). Ambos são surpreendidos por uma chuva de destroços decorrente da destruição de um satélite por um míssil russo, que faz com que sejam jogados no espaço sideral. Sem qualquer apoio da base terrestre da NASA, eles precisam encontrar um meio de sobreviver em meio a um ambiente completamente inóspito para a vida humana.
> A consistência da direção de Alfonso Cuarón – que pode facilmente ser vista em qualquer seu trabalho anterior é a responsável pelo sucesso de Gravidade. Todo o filme segue o mesmo ritmo marcado por momentos de tirar o fôlego, seja pela grandeza visual ou pela tensão dos acontecimentos; a impressão que se tem é que os primeiros 30 minutos do filme são feitos apenas por uma longa tomada.
> A narrativa do filme ganha uma abordagem diferente, pois não há uma introdução que explique o que se sucederá ao longo do filme, ou uma comum apresentação de personagens; os conflitos e apresentações (até onde são necessárias) vão se desenvolvendo simultaneamente ao passo em que é construída, com simplicidade, a imensidão do filme. Apesar de se tratar de uma ficção científica, Gravidade tem chamado a atenção também pela veracidade dos detalhes científicos expostos na tela. Deixando de lado os necessários ajustes, quebras de leis da Física e modificações da realidade que fortalecem qualquer thriller, a astronauta Marsha Ivins comentou que os medos e apreensões de muitos astronautas se concretizam no filme. A imensidão em Gravidade vem acompanhada de uma imersão emocional e espacial – fisicamente falando.
> O espaço é o maior cenário que um filme de ficção científica pode usar, mas muitas vezes não sabe explorá-lo ao criar planetas e/ou cidades que comprometem a ideia almejada por uma produção qualquer. Gravidade, diferente dos sci-fi tradicionais, se apega ao realismo em vez das utópicas civilizações com aliens e guerras e ganha pontos pela sua criatividade ao saber trabalhar o espaço vazio com habilidade e destreza.
> 127 Horas é um filme que se destaca entre os com a temática de sobrevivência por conseguir mostrar o lado emocional e psicológico que faz com que o protagonista queira ir além de sua infortuna condição. E o novo filme de Cuarón segue a fórmula da obra de Boyle no sentido de enfatizar os questionamentos que geraram uma situação – como a vivida pelos astronautas – e gerar reflexão não apenas para os personagens, mas igual e principalmente para o espectador. Dramas como esses devem trazer as reflexões que façam com que o público sinta com mais intensidade o que está sendo exposto no filme – e Gravidade nos faz refletir sobre solidão, tomada de decisões, comodismo e também sobre o sentido da vida. Porém, diálogos profundos, uma direção concisa e estável e um roteiro bastante original não concretizam um bom filme caso não tenha bons atores para executar o que foi planejado. Vários astros e estrelas famosos foram testados para os papéis que, por fim, ficaram com George Clooney e Sandra Bullock – e entre eles, Robert Downey Jr. e Angelina Jolie.
> E eis o que me afligia em Gravidade: Sandra Bullock protagonizando. Acho que Bullock é sempre uma atriz certa para comédias, embora esteja sempre a repetir personagens, porém nunca conseguia me passar a veracidade em dramas, até mesmo no superestimado Um Sonho Possível (2009), pelo qual venceu o Oscar de Melhor Atriz. Mas não me incomodo em dizer que mordi a minha língua com a atuação magistral. Ela dosa as emoções de maneira correta e consegue emocionar, surpreender e, o mais importante, conduzir o drama sem exagerar ou ficar aquém do esperado. Clooney também não deixa a desejar e usa toda sua experiência a seu favor.
> As vertiginosas sequências de câmeras, o esperto jogo entre planos abertos e closes e a força do minimalismo ensinam para a megalomaníaca Hollywood que o público atual busca originalidade na essência e não apenas no visual, embora ela pareça insistir em não aprender, ou pelo menos, lidar com fatos que busquem a realidade. Um filme de sufocante emoção.

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