5 de abril de 2014

Os Miseráveis (Les Miserábles)!

> Na França do século 19, o ex-prisioneiro Jean Valjean (Hugh Jackman) é perseguido há anos pelo implacável policial Javert (Russell Crowe), depois que ele violou sua liberdade condicional ao roubar os candelabros de prata da igreja. Anos depois, agora rico e com uma nova identidade, Valjean conhece Fantine (Anne Hathaway), uma de suas ex-funcionárias de sua fábrica, que implora a ele que cuide de sua filha Cosette (Isabelle Allen/Amanda Seyfried). O encontro entre os dois muda suas vidas para sempre.
> A peça musical Les Misérables é uma adaptação do romance de Victor Hugo e foi escrita originalmente em francês, em 1980, por Alain Boublil e Jean-Marc Natel com composição musical de Claude-Michel Schönberg. Assim que foi lançada, não faltaram críticas negativas para a produção. Foi apenas em 1985, quando ganhou a primeira adaptação para a Inglaterra com a ajuda de Herbert Kretzmer que a peça logo se tornou um sucesso de crítica e de bilheteria no mundo inteiro. 27 anos após a peça em inglês estrear, Tom Hooper teve a ideia e a ousadia de adaptar para o cinema uma obra que já foi traduzida para 21 línguas e que tem fãs em diferentes países. Os fãs que, como eu, vêm recebendo o filme com louvor. A crítica, no entanto, nem tanto.
> Simplesmente não entendo o motivo pelo qual boa parte da crítica internacional não considera a adaptação cinematográfica da peça Os Miseráveis nem, no mínimo, boa. Um dos mais frequentes motivos de reclamação entre os da contra corrente do musical, é justamente o fato do filme ter duração de cerca de 157 minutos e ser todo cantado. Ao que eles chamam de maçante, eu chamo de espetacular, pois esse fato só se tinha sido visto na adaptação de O Fantasma da Ópera (2004), de Joel Schumacher, e parcialmente na rock ópera cult Repo! The Genetic Opera(2008), de Darren Lynn Bousman. E no filme é notável o quanto isso extrai dos atores e o total envolvimento de todos na produção.
> No ano em que provavelmente Daniel Day-Lewis ganhará seu terceiro Oscar, eu não ficaria surpreso, ou decepcionado se Hugh Jackman tirasse dele o prêmio, pois apenas na cena de seu solilóquio na Igreja após ser salvo pelo Bispo (Colm Wilkinson – que foi Jean Valjean na primeira versão da peça inglesa) ele mostra mais talento do que todos seus filmes que fez na carreira até agora. Anne Hathaway está deslumbrante em sua personagem e o ápice da canção I dreamed a dream é de encher os olhos em todos os sentidos. Destaque também para Sacha Baron Cohen e Helena Boham Carter que trazem um alívio cômico no número Master of the house que funcionou de maneira excepcional visualmente falando; e para todos os outros coadjuvantes que fazem com que todas as cenas do filme sejam essenciais para seu final culminante e emocionante.
> É conhecido por todos que um musical no cinema requer toda uma parte técnica invejável e esse trabalho em Os Miseráveis é sutil e ao mesmo tempo gritante, como a maquiagem que envelhece Hugh Jackman por 20 anos e tira alguns dentes de Anne Hathaway. A fotografia e a direção de arte se mostram imponentes com a elaboração de prédios e ruas francesas que passam a ser personagens integrantes das cenas de guerra. Os Miseráveis tem uma comovente história de fé, bondade, conversão, amor e esperança e é simplesmente infalível. Tom Hooper foi corajoso e fez milagre ao criar o primeiro filme musical onde os atores cantam ao vivo nas gravações. Por isso, além de tudo, Os Miseráveis é um filme experimental. Concordo com o ator Zach Braff, que defendendo o filme disse em seu twitter: Se chorar 3 vezes em um musical é errado, eu não quero estar certo.
> Os Miseráveis elevo à categoria de uma obra-prima cinematográfica - acima de tudo os musicais. E tenho a convicção de que o tempo fará que que a obra de Hooper seja reconhecida e valorizada como tal.

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